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Obituário

Homenagem a Edson Valdemar Guilherme

 | Arquivo da família
(Foto: Arquivo da família)

Habituado à rotina das clínicas e às visitas aos leitos, o pneumologista Edson Waldemar Guilherme se sentia diferente daquela vez, apresentando um certo incômodo com aquele quarto do hospital. Mesmo debilitado e com dificuldades para falar, fez um pedido para sua mulher Ana Lúcia: "Me ajude a sentar para que eu possa olhar o Sol". Recostado na janela, ele olhava para fora como se estivesse se despedindo de uma história vivida com intensidade.

Nascido em Umuarama, Edson cursou Medicina na Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR) em Curitiba. Após um período de residência médica na capital paranaense e em Porto Alegre (RS), se mudou para Maringá em 1986, onde moravam seus avós. O médico pegou gosto pela "Cidade Canção" e ali constituiu sua família e fez a carreira, trabalhando em diversos locais como os hospitais Santa Casa, São Marcos, Santa Rita, entre outros, além do Instituto do Pulmão, onde foi um dos fundadores.

"Ele tinha uma relação muita estreita com os pacientes, que se apegavam demais a ele. Mesmo depois de ter ficado doente e deixado o trabalho, ele fazia questão de telefonar para a secretária e perguntar como estava o tratamento dos seus pacientes, se eles estavam bem", relembra a esposa.

Edson tinha a mania de querer aprender sempre mais. E para saciar esta vontade valia de tudo. Devorava livros sobre física, acompanhava o mercado financeiro, participava de discussões sobre qualquer assunto.

Mesmo sem ser "reliqueiro", tinha um grande conhecimento sobre automóveis, tanto que constantemente era consultado por amigos interessados em comprar algum modelo. Ele gostava tanto que, durante uma visita ao Salão do Automóvel, não fez cerimônia para se deitar no chão e ir embaixo dos carros ver de perto como tudo funcionava.

Outras paixões do doutor Edson eram as viagens em família e a natureza. Gostava de andar de barco pelos rios Ivaí e Paraná e de visitar sua propriedade em Amaporã, onde criava gado, que era visto muito mais como uma terapia do que efetivamente um negócio. Durante o café da manhã, gostava de conversar e aconselhar os filhos Lara e Gustavo, que inclusive está cursando Medicina para seguir a carreira do pai.

Católico, manteve sua crença inabalada durante a doença, encarada por ele com muita serenidade, ou como ele mesmo dizia com bom humor: "comendo o prato quente pelas bordas". "Ele nos pediu que independente do que acontecesse, a fé da família não deveria mudar em nada", conta Ana Lúcia. Sobrinha de Edson, a atleta paranaense de taekwondo Natália Falavigna ligou para a tia e disse que lutará nas Olimpíadas de Londres em homenagem ao médico que partiu.

Deixa esposa e dois filhos.

Dia 8, em Maringá, de câncer no pâncreas, aos 54 anos

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