
Rio de Janeiro e São Paulo - Um ato multirreligioso em homenagem às vítimas do acidente com o avião da Air France reuniu cerca de mil pessoas na Igreja da Candelária, no centro do Rio de Janeiro, na manhã de ontem. Havia pelo menos 40 parentes de vítimas, além de amigos e funcionários da companhia aérea, que colocou à disposição três micro-ônibus para levar os familiares até a igreja. Em clima de emoção, alguns parentes disseram ainda ter esperança de que os passageiros estejam vivos.
"Só quem está na pele [dos envolvidos] sabe o que é a dor", disse a tradutora Ana Cláudia Dutra, 42 anos, prima do maestro Silvio Barbato. "Muitos acreditam que tem gente lutando para sobreviver. No fundo, eu acredito que ele está lá, vivo e lutando", afirmou.
"Nos anos 1970, dom Eudes [de Orleans e Bragança] sofreu um acidente aéreo quando viajava para as Bahamas, passou dias desaparecido e, quando todo mundo já o considerava morto, ele foi encontrado vivo", contou dom Antônio de Orleans e Bragança, pai de dom Pedro Luiz de Orleans e Bragança e Ligne, 26, que ia para Paris no avião da Air France que caiu no mar. Todos são da família real brasileira.
Já a secretária Patrícia Carneiro, amiga da passageira Maria de Fátima Vale, afirmou não ter esperança de encontrá-la viva. "Estão achando os destroços. Se houvesse alguém vivo, já teria sido achado." Os religiosos tentaram confortar os envolvidos. "Não chore porque partiu; sorria porque existiu", disse um deles, repetindo um ditado alemão.
Entre as autoridades presentes, estavam o ministro de Assuntos Exteriores da França, Bernard Kouchner, o chanceler Celso Amorim, o governador Sérgio Cabral (PMDB) e o prefeito do Rio, Eduardo Paes (PMDB). Durante e após a cerimônia, uma mulher passou mal e foi socorrida.
O culto foi promovido pelo estado e pela prefeitura do Rio, um dia após evento semelhante que reuniu 4 mil pessoas em Paris. No Rio, participaram representantes de oito religiões católicos, anglicanos, presbiterianos, luteranos, muçulmanos, judeus, ortodoxos e evangélicos da Assembleia de Deus.
A cerimônia começou com a execução dos hinos da França e do Brasil, seguida de um minuto de silêncio.
Familiares nas buscas
A Aeronáutica informou que levará hoje representantes das famílias de brasileiros do voo 447 até o Cindacta-3, em Recife. Lá, o grupo assistirá a uma exposição sobre a operação e suas dificuldades.
Segundo os militares, não há possibilidade de familiares acompanharem a operação aérea de busca.
Familiares dos brasileiros, porém, esperam ser levados até Fernando de Noronha para acompanhar as buscas pelo avião. A informação foi passada por Nelson Faria Marinho, pai do passageiro Nelson Marinho Filho. De acordo com ele, um representante de cada família irá até a base da Aeronáutica no arquipélago.
Familiares reclamaram que sofreram pressões depois de a comissão ter sido anunciada. Maarten van Sluys, irmão da passageira Adriana Francisca van Sluijs, criticou a Agência Nacional de Aviação, que quarta-feira negara a existência da comissão.



