Dois homens foram mortos na manhã de ontem, em Brasília, com tiros na cabeça, na praça onde o índio Galdino de Jesus dos Santos foi queimado vivo por cinco jovens da classe média em abril de 1997. A polícia acredita que as vítimas eram moradores de rua.
A Polícia Civil, que recolheu os corpos às 6h40 desta segunda-feira, informou que os homens estavam sem documentos. Uma testemunha disse ter ouvido os tiros disparados por um homem que estava sobre uma moto.
Agora a polícia está atrás do motoqueiro suspeito de ser o assassino. Segundo testemunhas que esperavam ônibus em frente à praça, o motoqueiro usava capacete, era branco e tinha entre 25 e 30 anos.
Os dois moradores de rua foram assassinados enquanto dormiam. Eles estavam deitados no coreto da praça da quadra 703 Sul, próximo da parada de ônibus onde Galdino foi assassinado. Hoje há uma escultura em homenagem ao indígena.
"Ouvi dois tiros, depois mais um e, logo em seguida, mais três. Vi que o assassino apontava com algo para baixo, não dava para ver se era uma arma", conta uma testemunha.
De acordo com moradores, as duas vítimas frequentavam a praça há mais de um ano. Um dos rapazes vigiava carros na comercial da quadra 504 Sul. A perícia esteve no local, mas eles não foram identificados. Uma testemunha já prestou depoimento na delegacia da Asa Sul, que investiga o caso.
O caso está sendo investigado pela 1ª Delegacia de Polícia de Brasília. O delegado responsável, Rodrigo Telho Corrêa, disse que um dos moradores de rua mortos é Paulo Francisco de Oliveira, de 35 anos. O outro ainda não foi identificado, pois estava sem documentação. Corrêa ressaltou que ainda não foi possível apurar a causa do crime. "Trabalhamos com duas hipóteses: acerto de contas ou dívida de drogas", disse.
A Polícia Militar também acredita que um acerto de contas relacionado ao tráfico de drogas tenha sido a razão do duplo assassinato.
OAB
A Ordem dos Advogados do Brasil, Seccional do Distrito Federal (OAB-DF), acompanhará a investigação do assassinato. "A OAB sempre acompanha as investigações desse tipo de crime, quando as vítimas são pobres, pois normalmente o caso fica sem solução", afirmou o presidente da Comissão de Direitos Humanos da OAB-DF, Jomar Alves Moreno.



