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Voluntariado

Hortas urbanas e cidadania no Nosso Quintal

Quatro amigos aproveitam um programa da prefeitura de Curitiba para melhorar a aprendizagem de cem crianças de 3 a 6 anos

Na horta, além do contato com a terra e da alimentação mais saudável, conceitos de Matemática, Português e Ciências | Valterci Santos/Gazeta do Povo
Na horta, além do contato com a terra e da alimentação mais saudável, conceitos de Matemática, Português e Ciências (Foto: Valterci Santos/Gazeta do Povo)

O contato com hortas urbanas tem mudado a rotina de alguns moradores da capital, que aproveitam um pequeno pedaço de terra para produzir alimentos livres de agrotóxicos e tirar uma folga da correria das grandes cidades. Aproveitando um programa de hortas urbanas da prefeitura de Curitiba, os amigos Ari Bordin, microempresário; Carlos Córtes, artista plástico; Dimas Braga, pedagogo; e Francisco Córtes, administrador de empresas, reuniram-se há cinco meses para criar uma horta voluntária em uma creche no bairro Santa Cândida e frequentam o local três vezes por semana. Além de ajudar as crianças, o espaço é também uma terapia.

O "Nosso Quintal" foi criado pa­­­ra incentivar a criação de hortas urbanas e é destinado principalmente às famílias de baixa renda. Mas, no caso do grupo de amigos, a decisão de criar este espaço foi motivada pela solidariedade. E a convivência com a plantação mu­­dou a rotina de cem crianças de 3 a 6 anos atendidas gratuitamente pe­­la creche. Além de ter um alimento mais fresco, a horta virou uma ex­­­tensão da sala de aula. "É como se não houvesse mais limites físicos para a aprendizagem", afirma Di­­­mas. Onze vezes por semana, as crian­­­ças aprendem a plantar, co­­­lher, cuidar da terra e respeitar o meio ambiente. Todo o material produzido é destinado para elas. O quarteto participa de uma igreja espírita que mantém a escola da criançada e resolveu fazer a sua parte.

Ao todo, 18 voluntários ajudam na manutenção do espaço. O próximo passo é construir um centro de convivência, um bosque para contação de histórias e instalar um sistema de captação de água da chuva para as hortaliças. A horta vem dando frutos. Uma professora de uma faculdade próxima vai usar as benfeitorias para sensibilizar estudantes que cursam pós-graduação em educação ambiental. Ari, Carlos, Dimas e Francisco desejam que o respeito pela natureza seja multiplicado.

Carlos diz que com o projeto eles aprendem a deixar para trás o egoísmo. Além disso, ele pôde retomar o contato com a natureza. O artista morava em um sítio em Rondônia, onde o vizinho mais próximo ficava a 30 quilômetros. Hoje em um apartamento, ele diz que precisava sentir de volta o tempo da natureza. "É bom ver o sol esquentando, sentir o cheiro das plantas. São coisas que só a simplicidade do meio ambiente oferece."

O irmão dele, Francisco, afirma que a comunidade já está engajada no projeto. Dia desses, uma senhora japonesa de 92 anos foi conhecer o local. "Ela deu dicas e disse que estamos no caminho certo. Foi um aprendizado." Outro dia um rapaz com esquizofrenia descobriu o lugar e vai para lá como forma de complementar a terapia.

Dimas conta que, ao levar as crianças para a horta, as professoras trabalham disciplinas como Matemática, Português e Ciên­cias. A creche montou um projeto de alfabetização pedagógica e todos os professores estão envolvidos. "As paredes da escola deixaram de existir. É uma nova ferramenta de trabalho."

Caio Borges, Jona­­tham Calixto e Cecília de Cos­­ta, todos com 6 anos, divertem-se com a experiência. Estão aprendendo o nome de hortaliças antes desconhecidas na mesa e aos poucos começam a mudar os hábitos da família. Mas o que eles mais aguardam é o bosque de contação de histórias, para ouvir contos sobre a natureza.

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