
A dona de casa Patrícia Bettoni ilustra uma situação desconhecida por muitas pessoas. Denúncias ao Conselho Regional de Medicina (CRM) podem ser feitas também contra instituições, caso o paciente acredite em falha no atendimento. Não é necessário a concretização de um erro médico para procurar a Justiça ou o CRM. "O Código de Defesa do Consumidor é uma arma em mãos para que cada um lute por seus direitos", diz a presidente da Associação das Vítimas de Erros Médicos (Avermes), advogada Célia Destri.
O dia 28 de novembro do ano passado deveria ficar marcado como celebração pelo nascimento do quarto filho. Os problemas de uma enfermidade rara geraram, porém, o início de um sofrimento. Um mês depois da primeira cesária, uma bola vermelha surgiu na barriga de Patrícia. O cisto cresceu, inchou, ficou vermelho e, em seguida, preto até estourar. "Em princípio, ninguém sabia o que eu tinha. Os exames não indicavam nada, e eu era mandada de um lado para o outro sem receber o atendimento adequado, sentindo muita dor", conta. Patrícia defende que um melhor atendimento do Hospital Santa Cruz poderia ter solucionado seu problema.
Em nota, o hospital informa que a paciente recebeu o atendimento necessário. A detecção do problema, no entanto, levou quatro meses. "Foi detectada uma cístola do útero até a parede abdominal. Por ser um caso incomum, foi solicitada a avaliação geral para a correção". Nos quatro meses até a descoberta do problema, o plano de saúde de Patrícia foi cancelado porque o marido perdeu o emprego. "Meu plano acabou ontem. Em outras consultas, falaram que o médico não poderia fazer nada. Agora, pode-se resolver", questiona.
Caso raro
Diretor clínico do Hospital Maternidade Alto Maracanã, José Sebastião da Silva Neto, explica que o problema de Patricia não se deve a erro médico. "A cístola é uma forma de comunicação que, nesse caso, se formou entre útero e cavidade abdominal, um processo do próprio organismo. É uma complicação rara", esclarece. De acordo com o médico, a detecção do problema é bastante complicada. "O diagnóstico é difícil. São necessários vários exames e acompanhamento constante", afirma.



