Rio O governo federal quer fazer um retrato real das vítimas da violência no país. Para isto, a Secretaria de Segurança Nacional (Senasp) está firmando um convênio com o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). A idéia é que em 2008 os pesquisadores do instituto saiam em busca das vítimas de algum tipo de violência, principalmente as que não fizeram registro policial.
Para traçar o desenho desta pesquisa reuniram-se no Rio ontem o presidente do IBGE, Eduardo Pereira Nunes, e o secretário nacional de Segurança, Luiz Fernando Corrêa.
"Vamos identificar na sociedade aqueles que declaram ter sido alvo de algum tipo de violência , especificando o tipo de violência, as conseqüências, inclusive para a sua saúde física e mental , e os procedimentos adotados por ele: se deu queixa, se acompanhou, se houve processo e julgamento. Queremos um perfil abrangente", explicou Nunes.
A Senasp, com base em algumas pesquisas isoladas feitas em cidades, calcula que os registros policiais retratam apenas de 15% a 20% da violência ocorrida no país. Ou seja, 80% das vítimas não registram queixa. Segundo Corrêa, a secretaria já criou um banco com os registros de ocorrências policiais das capitais e cidades com mais de 100 mil habitantes. Quando tiver a pesquisa pronta, vai comparar os dados.
Segundo o presidente do IBGE, os pesquisadores irão a todos os estados. "Selecionaremos um conjunto de domicílios que serão visitados pelos nossos entrevistadores, não só nas grandes cidades e capitais. mas também cidades de porte inferior.
O questionário será elaborado a partir de modelos praticados por outros países, que seguem recomendações nas Nações Unidas."
A pesquisa vai levantar não só informações sobre violência incluindo violência doméstica, contra as mulheres, etc , mas dados importantes como, por exemplo, sobre corrupção policial. "Se o policial exigiu algo para prestar um serviço que deveria prestar em razão da sua função, com certeza isto virá", admitiu Corrêa. Também mostrará a violência praticada em determinadas áreas por grupos marginais, como facções criminosas. Mas não se limitará ao problema nos grandes centros urbanos. A pesquisa deve buscar informações sobre "questões bem típicas de uma região, como grupos de extermínio e a grilagem de terra no interior do Pará e na Amazônia em geral", admitiu o secretário.
A previsão é de que a pesquisa passe a ser feita com freqüência, embora a periodicidade ainda deva ser estipulada entre o IBGE e a Senasp. A primeira expectativas é de um investimento de R$ 8 milhões.



