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Presente de grego

Idosa guarda 110 caixões na própria casa

Senhorinha Cardoso alugou seu salão para uma empresa estocar roupas, mas os inquilinos armazenaram câmaras funerárias

Para Senhorinha, pelo menos 50% dos 110 caixões ainda têm  condições de uso | Carlos Ohara/Gazeta do Povo
Para Senhorinha, pelo menos 50% dos 110 caixões ainda têm condições de uso (Foto: Carlos Ohara/Gazeta do Povo)

"Os vizinhos ficaram assustados." Assim conta Senhorinha Cardoso de Oliveira, de 84 anos, que guarda, a contragosto, 110 caixões há seis anos. A idosa mora em Quarto Centenário, Região Noroeste do Paraná, e é conhecida por todos os moradores por causa da curiosa história.

Tudo começou em 2006, quando uma empresa de Foz do Iguaçu procurou um salão em Quarto Centenário para guardar, supostamente, roupas de brechó. Dona Senhorinha tinha um salão no terreno da própria casa e foi procurada pelos empresários que logo pagaram o primeiro mês de aluguel e assinaram contrato de um ano. A surpresa, porém, veio no dia da entrega da mercadoria.

Depois de 20 dias de contrato assinado, durante a madrugada, um caminhão chegou com a "encomenda": 150 caixões. "Falaram que o local ia ser um brechó chique, com roupas da Europa. Se falassem que eram caixões, acharíamos assustador e não iríamos aceitar", lembrou Cleuza de Oliveira, 50 anos, filha de Dona Senhorinha.

Devolução

Como os vizinhos começaram a olhar torto, a família logo foi atrás dos empresários que alugaram o salão para devolver o presente de grego. A empresa ficou inadimplente por quase o ano todo e retornou para buscar os caixões, mas, dos 150, apenas pouco mais de 40 foram retirados do salão. Como os inquilinos deviam 11 meses de aluguel, eles assinaram um termo de compromisso que firmava que a encomenda indesejada passava a ser da família.

O fato fez com que Senhorinha e os filhos entrassem em contato com empresas do ramo funerário para vender os mais de 100 caixões que sobraram. "Começamos a ligar para as fábricas, funerárias e nada", disse Cleuza. "Gastamos um monte e ninguém teve interesse."

A situação piorou quando a família parou de receber visitas. "Os amigos falavam que a nossa casa era assustadora", contou Cleuza. A situação fez com que a família removesse os caixões para a casa de uma irmã da aposentada, onde estão até hoje. A história se tornou conhecida na região porque alguns deles quebraram e vândalos depredaram a residência. "É uma pena, porque tem caixão chique, estofado, avaliado em R$ 12 mil e agora tem cachorro que dorme dentro", comentou Cleuza.

A família avalia que mais de 50% dos caixões ainda estão bons para serem vendidos e usados por funerárias. Mesmo que as empresas concluam que poucos podem ser usados, a família promete vender alguns e doar os outros para serem aproveitados de alguma forma.

Colaborou Carlos Ohara.

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