
Curitiba Ao contrário do Brasil, onde pela primeira vez, em um século, a proporção de católicos parou de cair e se manteve estável entre 2000 e 2003, Curitiba perdeu adeptos da religião no mesmo período. É o que aponta a segunda parte do estudo "Economia das Religiões: Aspectos Locais e Ascensão Social", divulgada ontem pela Fundação Getúlio Vargas (FGV). Enquanto no Brasil a porcentagem de católicos variou nesse período entre 73,89% e 73,79%, em Curitiba, o número caiu de 71,70% para 70,78%.
Já os evangélicos, seguindo a tendência nacional, continuam a crescer na capital paranaense. Em 2000 eles eram representados por 16,63% dos curitibanos, e em 2003 passaram a 19,98% da população da capital.
Para o professor de Teologia da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUC-PR), Mário Antônio Betiato, a explicação para a queda no número de católicos pode estar na migração do universo moderno do século 20 para o pós-moderno atual. Segundo ele, a partir do Iluminismo o que prevaleceu foi a razão, a ciência e o racionalismo.
"Agora estamos entrando em uma outra concepção de homem: menos racionalista e mais místico, mais do mistério e menos da razão, mais coração e menos cabeça. O universo pós-moderno tenta recuperar a transcendência, que foi esquecida pela modernidade", explica. De acordo com Betiato, os evangélicos foram os que melhor souberam interpretar a pós-modernidade, coisa com a qual a igreja católica não se preocupou. "A igreja católica moderna ainda é doutrinária, racionalista, conceitual, com pouco mistério, pouco espírito", explica.
O professor da Faculdade Evangélica do Paraná, Valdinei Ferreira, membro da Igreja Presbiteriana Independente, ressalta que o intervalo de 2000 a 2003 é muito pequeno comparado com as medições do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), que são de décadas. Para ele, seria melhor esperar até o censo da primeira década do século 21. "Precisamos tomar cuidado para não dizer que há uma tendência. De fato as igrejas evangélicas na década de 90, com toda a mística da passagem do milênio, fizeram um grande trabalho de conversão no Brasil e no mundo", ressalta.
Ferreira acredita que parte do sucesso dos evangélicos está no trabalho de rotina para cuidar do fiel conquistado. "Já a Igreja Católica tem ações pastorais bastante restritas. As mais dinâmicas, como o movimento da renovação carismática, estão ligadas à classe média e em grandes cidades. Já os evangélicos chegam mais às periferias das cidades, o que facilita a expansão do pentecostalismo."



