
A Igreja Católica apresentou queda histórica de fiéis nos últimos dez anos no Brasil, de acordo com o Censo de 2010, do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Os dados divulgados ontem mostram que, embora essa ainda seja a religião majoritária entre os brasileiros, é cada vez maior a diversidade no país. Enquanto a população que se diz católica caiu de 73,6% em 2000 para 64,6% em 2010, o índice de evangélicos passou de 15,4% para 22,2% dos brasileiros.
A queda no número de católicos, segundo o IBGE, é observada desde o primeiro Censo, realizado em 1872. Na ocasião, quase a totalidade da população se declarava católica (99,7%). Em cem anos houve queda de 7,9 pontos porcentuais, mas, desde 1970, a redução na quantidade de católicos foi mais drástica. No Paraná, a porcentagem de seguidores da Igreja Católica ficou acima da média nacional, com 69,6% da população em 2010.
Necessidade social
Para o professor de Teologia Luiz Alberto Sousa Alves, da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR), o aumento do índice de evangélicos mostra o quanto os brasileiros estão em busca do apego a valores. "A família está meio perdida dentro de uma sociedade que pensa muito no consumo", avalia. Na opinião dele, as igrejas evangélicas, em especial as pentecostais, dão respostas mais imediatas aos problemas vividos pela população. "Algumas igrejas fazem cultos específicos, para problemas de todos os tipos", diz.
O aumento do número de evangélicos está ligado também à forma como as igrejas pentecostais chegam aos fiéis. De acordo com o professor de Geografia Valdomiro Lourenço Nachornik, da Universidade Tuiuti do Paraná, os meios de comunicação são decisivos para a ascensão dessas religiões. "O catolicismo hoje usa esse recurso, mas desde a década de 1980 os evangélicos utilizam o rádio e outras mídias para disseminar valores", afirma.
Sobre a queda vertiginosa no porcentual de católicos, o professor Luiz Alberto afirma que o catolicismo se mantém preso às tradições, com uma mudança mais lenta de valores. "A Igreja Católica, de certa forma, está conseguindo conter um pouco esse quadro com a inclusão de alguns elementos, como cânticos e danças, igual aos dos evangélicos. Mesmo assim a ortodoxia deixa a igreja mais presa ao passado", afirma.
Alves comenta que o movimento que ocorre com a Igreja Católica é o mesmo observado nas evangélicas de missão, também tradicionais e que tiveram queda de fiéis. Houve pequena retração na porcentagem de seguidores das igrejas protestantes mais antigas, como Luterana e Presbiteriana, de 4,1% para 4%.
Ainda dentro do segmento evangélico da população, o número de seguidores das pentecostais (Igreja Universal do Reino de Deus e Assembleia de Deus, por exemplo) teve aumento (de 10,4% para 13,3%). A maior alta nesse segmento foi observada entre os evangélicos sem igreja determinada, que passaram de 1% para 4,8% dos brasileiros.
Segundo o teólogo, o aumento registrado na última década é menor do que o observado em décadas anteriores, o que mostra que muitos evangélicos estão migrando. "Um exemplo é a Igreja Universal do Reino de Deus, que está perdendo adeptos para uma dissidência deles, a Igreja Mundial [do Poder de Deus]".



