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Crime

Imagens gravaram homens ateando fogo em morador de rua

Vítima estava embaixo de marquise na Rua Pedro Ivo quando foi surpreendido pelos criminosos. Ele está internado em estado gravíssimo no Hospital Evangélico

Imagens gravadas por uma câmera de monitoramento da prefeitura de Curitiba mostram o momento em que dois homens jogam um líquido inflamável em um morador de rua e, em seguida, ateiam fogo. A informação foi revelada pela Divisão de Homicídios e Proteção à Pessoa (DHPP), da Polícia Civil, na tarde desta sexta-feira (6). As filmagens não foram divulgadas. O morador de rua – ainda não identificado – foi incendiado na noite de quinta-feira (5), na Rua Pedro Ivo, próximo ao cruzamento com a Rua Desembargador Westphalen, no Centro.

Segundo a delegada chefe da DHPP, Maritza Haisi, as gravações mostram dois homens caminhando pela rua onde o caso foi registrado. Eles param próximo a um morador de rua, mas, poucos segundos depois, seguem adiante. Em seguida, eles chegam até a vítima e ateiam jogo. "A vítima estava sendo seguida há algumas quadras", diz Maritza.

A princípio, segundo a delegada, não é possível afirmar qual a motivação do crime. Vingança ou acerto de contas são algumas hipóteses com as quais a DHPP trabalha no caso. Sobre os possíveis autores, a delegada acredita que não seriam moradores de rua. "Pelas imagens, aparentemente eles não eram moradores de rua. Com a investigação vamos levantar se eles já conheciam a vítima". A Polícia Civil ainda busca outras imagens de câmeras da região e testemunhas para prosseguir na investigação.

A Polícia Civil ainda não confirmou a identidade do morador de rua, mas, a princípio, o nome dele seria Nilson Barbosa. Ele teria aproximadamente 33 anos. Com essa identificação, há possibilidade de que o homem tenha passagem pela polícia. Mas a DHPP esclarece que esta identidade depende de confirmação de dados.

Situação

No local, em frente à loja Bem-me-quer, o chão ainda está chamuscado e com restos de fuligem. Comerciantes e moradores estão assustados.

"Pensaram que tinha sido comigo", diz o guardador de carros José Severino, que trabalha na região há 10 anos. Ele conta que às vezes dorme na mesma rua e sempre tem medo de que alguma coisa possa acontecer. "Uma vez um grupo veio pra cima de mim com um galão, eu agitei o cobertor e eles foram embora", afirma.

Ainda não há dados conclusivos sobre a autoria do crime. A secretária da Fundação de Ação Social (FAS), Márcia Fruet, afirma que vai pressionar a polícia para que a investigação não se encerre rapidamente. "Tudo se resolve dizendo que é briga de moradores de rua. Temos muitos casos que foram resolvidos desse jeito. A investigação tem que ser feita, não pode tirar conclusão tão rápida", afirma.

Equipes da FAS foram ao hospital para tentar identificar o homem. O nome dado por ele ao dar entrada no hospital mostra que ele teria sido atendido duas vezes por agentes do resgate social, em 2003 e 2011, mas não aceitava os serviços.

Atendimento

O homem foi encaminhado ao Hospital Evangélico, onde chegou ainda consciente. Segundo o cirurgião José Luiz Takaki, o paciente teve queimaduras de segundo e terceiro graus na cabeça, rosto, tórax e no braço direito. Ainda conversando, a vítima contou como sofreu as queimaduras. "Ele disse que dois homens jogaram um líquido inflamável sobre ele e, em seguida, acenderam o fogo", disse o médico.

A vítima teve 35% do corpo queimado e, por conta da gravidade dos ferimentos, foi entubado e está internado na Unidade de Terapia Intensiva 2, ho Evangélico. O estado de saúde dele é considerado gravíssimo. "Somente após 15 dias, quando passar a fase de trauma, é que poderemos ter um prognóstico de sobrevida", apontou Takaki. "Mas essas primeiras 72 horas são fundamentais", acrescentou.

Uma jovem esteve no hospital, acreditando que a vítima seria o irmão dela. A mulher chegou a ver o morador de rua, mas a identidade dele ainda não foi confirmada. "Ele estava com o rosto muito inchado por causa das queimaduras, então ela não teve certeza", disse o cirurgião.

Investigações

Algumas testemunhas que passavam pelo local ajudaram a socorrer o homem. Um motorista teria parado e utilizado o extintor do carro para conter o fogo. As chamas foram apagadas e o morador de rua precisou ser socorrido pelo Corpo de Bombeiros, conforme informações do Paraná On-line. O uso do extintor, porém, agravou ainda mais as queimaduras por causa da composição química, de acordo com o Hospital Evangélico.

A vítima estava sem documentos. O Instituto de Identificação deve ir à UTI ainda nesta tarde para tentar descobrir a identidade do homem.

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