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Curitiba

IML vai pedir exumações para tentar localizar corpo desaparecido

Indigentes serão desenterrados para coleta de material, que será submetido a DNA. IML vai abrir procedimento administrativo para apurar se houve falha de funcionários

Neuza tenta enterrar o filho há 37 dias: corpo desapareceu do IML | Felippe Aníbal/ Agência de Notícias Gazeta do Povo
Neuza tenta enterrar o filho há 37 dias: corpo desapareceu do IML (Foto: Felippe Aníbal/ Agência de Notícias Gazeta do Povo)

O Instituto Médico-Legal (IML) reconheceu, na tarde desta sexta-feira (25), que o corpo de um homem de 27 anos pode ter sido sepultado por engano como "não identificado". Para tentar localizar o cadáver, o órgão vai solicitar à Justiça que autorize a exumação dos cadáveres sem identificação ou não reclamados por familiares e que foram enterrados como indigentes a partir de 19 de janeiro. O sumiço do corpo de Nilton Lopes Santanafoi constatado na quinta-feira (25), , 36 dias depois de ter dado entrada no instituto.

Segundo o diretor-geral do IML, coronel Almir Porcides Júnior, os indigentes terão que ser desenterrados para a coleta de material, que será submetido a exames de DNA, a fim de tentar encontrar o corpo de Santana. "Será trabalhoso, mas é algo que precisa ser feito, porque, ao que tudo indica, houve uma falha", disse. Na tarde desta sexta, funcionários do IML preparavam um levantamento para apontar quantos corpos sem identificação ou não reclamados foram sepultados desde a data em que o cadáver de Santana foi encaminhado ao órgão.

O IML informou que vai abrir um procedimento administrativo para apurar as responsabilidades e eventuais falhas no caso. Porcides Júnior ressaltou que funcionários do órgão continuam a varredura na tentativa de localizar o corpo desaparecido. "Mas se o cadáver realmente foi enterrado por engano, os funcionários que cometeram o erro vão ter que responder", disse. A punição vai desde a simples suspensão à exoneração, segundo o diretor.

Porcides Júnior apontou que a estrutura física do chamado "setor de putrefeitos" (corpos que dão entrada já em estado de decomposição) está defasada. De acordo com o diretor, há apenas uma câmara fria, com capacidade para conservar até 30 cadáveres. Entretanto, há mais de 50 na seção. "Como alternativa, instalamos geladeiras para os demais corpos. Mas é como enxugar gelo: a gente consegue enterrar 15, entram 40", explicou.

O caso

O corpo de Nilton Lopes Santana deu entrada no IML no dia 19 de janeiro, quando foi encontrado já em estado de putrefação em um milharal, na zona rural de Fazenda Rio Grande, região metropolitana de Curitiba. Segundo a família, Santana havia sido assassinado a facadas três dias antes.

A mãe dele, Neuza Fátima Santana afirma ter reconhecido o corpo do filho a partir da roupa, tatuagem e cabelo, mas, mesmo assim, não conseguiu a liberação para o sepultamento. Trinta e cinco dias depois, o juiz Pedro Sanson Corat, da Vara de Inquéritos Policiais, autorizou o IML a liberar o cadáver para que a família procedesse com o enterro. Entretanto, o corpo não foi localizado por funcionários do órgão. "Eu nem sei o que dizer. O que eu sei é que o corpo do meu filho deu entrada aí [no IML]", disse Neuza.

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