Ponta Grossa Diferentemente de outras extensões universitárias do Paraná, que lutam para oferecer a infra-estrutura mínima para os estudantes, a briga do câmpus avançados da Universidade Estadual de Ponta Grossa é para continuar existindo. Das cinco bases instaladas em cidades dos Campos Gerais, três não ofereceram vagas no último vestibular e não devem ofertar no próximo. A situação mais crítica é a da unidade de São Mateus do Sul. Em 2007, irá funcionar apenas uma turma, do último ano de Letras. Servidores e comunidade estão com receio de que as extensões sejam desativadas.
O câmpus de Telêmaco Borba, que já teve simultaneamente quatro cursos e tem capacidade para cinco está com apenas meio (a primeira turma de Educação Física e a última de Economia). As unidades avançadas da UEPG funcionam em sistema de rodízio. Depois da oferta de três vestibulares, o curso é substituído por outro para não saturar a cidade com muitos profissionais de uma mesma área. A instituição oferece os professores e o projeto pedagógico e as prefeituras entram com a estrutura física, o custeio do transporte dos docentes e a cessão de funcionários. Todas as unidades têm biblioteca e acesso, mesmo que às vezes compartilhado, a laboratórios de informática.
Para o coordenador da extensão em Palmeira, Carlos Alberto Maio, não há graves problemas de falta de infra-estrutura e é preciso bom senso nos pedidos de recursos para a prefeitura, que já investe bastante na manutenção da unidade. Também é a opinião da coordenadora em Telêmaco Borba, Gina Maria Bachmann. "Não é o caso de montar uma super-estrutura específica para cursos que vão durar tão pouco tempo", argumenta. Os acadêmicos de Educação Física, por exemplo, estão utilizando quadras das escolas da cidade.
A situação em Jaguariaíva é particular. Por problemas administrativos na prefeitura, que teve o prefeito e todo o primeiro escalão afastados em outubro, o cumprimento do convênio está deficitário. O coordenador Lívio Marcel Queji conta que alguns pagamentos estão atrasados e que o telefone da unidade está cortado, apenas recebendo chamadas. Já o caso mais confortável é o de Castro, onde funciona um câmpus com estrutura própria e curso permanente. A primeira turma já se formou e a coordenadora Aparecida Gonçalves da Fonseca Martins relata que todos os laboratórios e salas de aula estão prontos para o uso. Há apenas pequenos entraves a serem solucionados, como a edificação de uma área administrativa, já que seções como o almoxarifado estão em salas de aula.
Pedidos
O coordenador Frutuoso Dreher Simões afirma que recebe pedidos diários para que novos cursos sejam instalados em São Mateus do Sul. Em Palmeira, um levantamento feito com os acadêmicos mostrou que 87% não estariam na faculdade se não houvesse uma base na cidade. A UEPG informa que já encaminhou para o governo estadual pedidos de realização de vestibulares, mas ainda não recebeu respostas. De acordo com a pró-reitora de Guaduação, Graciete Tozetto Goes, manter as extensões praticamente não representa novos custos. São reeditados cursos que existem na sede e os professores designados acabam substituindo aqueles dos cursos finalizados. Ela conta que além de apelos para que as extensões existentes não sejam encerradas, há casos de outras prefeituras que já demonstraram interesse na implantação de novas bases.
O diretor-geral da Secretaria de Estado de Ciência, Tecnologia e Ensino Superior (Seti), Jairo Queiroz Pacheco, defende que existem investimentos maciços na descentralização, reforçando que são mantidas pelo governo estadual 17 instituições de ensino superior, em diversas regiões do estado. Ele argumenta que no início da atual gestão havia um número enorme de cursos autorizados sem nenhuma previsão orçamentária. "Foi preciso uma reorganização", diz. Pacheco acrescenta que ainda existem necessidades de investimentos em decorrência dessa oferta sem planejamento, mas a maioria dos problemas foi solucionada.
"A busca é pela qualidade, tanto que as universidades estaduais estão muito bem colocadas em avaliações", aponta. Além da reestruturação, o aumento dos recursos investidos, que duplicaram em quatro anos, estaria rendendo bons resultados. O diretor reforçou que cada instituição define o que é prioridade e tem autonomia para aplicar o orçamento destinado. "O que couber dentro desse dinheiro será feito", resume. Mas reconhece que a manutenção das atividades das extensões não representa grandes custos e que não sabe dizer por que motivo o processo de autorização dos cursos em rodízio ainda não foi liberado.



