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Meio ambiente

Investimento em aterro antigo

Após o fechamento, aterros sanitários precisam receber obras específicas e manutenção por, no mínimo, 20 anos

Fechamento da Caximba vai exigir monitoramento de danos ambientais futuros | Arquivo - Valterci Santos / Agência de Noticias Gazeta do Povo
Fechamento da Caximba vai exigir monitoramento de danos ambientais futuros (Foto: Arquivo - Valterci Santos / Agência de Noticias Gazeta do Povo)
Área da Lamenha Pequena, 20 anos depois: edital de R$ 423 mil para obras de manutenção |

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Área da Lamenha Pequena, 20 anos depois: edital de R$ 423 mil para obras de manutenção

Venina Rocco tem loja em frente ao antigo aterro: terreno instável |

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Venina Rocco tem loja em frente ao antigo aterro: terreno instável

O lixão da Lamenha Pequena, onde Curitiba depositou seus resíduos sólidos entre 1964 e 1989, segue sob observação e recebendo manutenção da prefeitura da capital. No ano passado, foi aberta licitação com valor máximo de R$ 423.177,14 para a realização de obras nos sistemas de drenagem das águas pluviais, dos acessos internos e do sistema de tratamento de efluentes, além da recuperação do sistema de monitoramento de água subterrânea. Mais de 20 anos após seu encerramento, o espaço, oficialmente chamado de aterro sanitário, continua criando passivos ambientais, como a geração de gás e chorume (líquido resultante da decomposição do lixo).

"Um aterro sanitário não tem só o custo de operá-lo e implantá-lo. Ele precisa ser observado por muito tempo, cerca de 50 anos", explica o engenheiro ambiental Carlos Mello Garcias, professor do mestrado em Gestão Urbana da Pontifícia Universidade Católica do Paraná. Por meio de nota oficial, a prefeitura informa que o local recebe monitoramento permanente. "Na época da desativação, a primeira providência foi o selamento da área com terra e plantio de vegetação e a drenagem, além da construção de duas lagoas de tratamento", diz. Estima-se, ao todo, que a Lamenha Pequena tenha recebido aproximadamente 810 mil metros cúbicos de lixo de Curitiba nos 25 anos de operação.

Para o engenheiro civil Miguel Mansur Aisse, professor do Departamento de Hidráulica e Saneamento da Universidade Federal do Paraná (UFPR), o termo "aterro sanitário" não pode ser aplicado à Lamenha Pequena. "Não vi seu início, mas sua operação. Era um lixão", diz. "Pelo fato de não terem sido realizados os investimentos necessários à época de sua instalação, a preocupação deve ser permanente", acrescenta.

Caximba

Se o cronograma oficial for mantido, Curitiba terá que se preocupar com novo aterro encerrado a partir de novembro: a Caximba. Não basta, no entanto, apenas colocar um cadeado no portão. Algumas ações são fundamentais para diminuir o passivo ambiental: impermeabilização da cobertura final (de preferência com material nobre, como a argila); plantio de vegetação, a fim de evitar erosão; instalação de equipamentos para monitorar a movimentação da massa interna; e a vigília constante da produção de chorume. Procurada para comentar o fechamento da Caximba, a prefeitura apenas informou que "as obras do Plano de Encerramento estão dentro do cronograma".

Por ter sido mais bem planejado em sua instalação, o aterro oferece vantagens nessa manutenção. "Como foi projetado, recebeu obras necessárias, como a impermeabilização, desde o início", avalia Aisse. Apesar da adequação, o potencial problemático da Caximba é superior ao da Lamenha Pequena em razão do volume de lixo recebido em suas mais de duas décadas de operação. Na década de 1960, quando a Lamenha passou a funcionar, Curitiba tinha cerca de 356 mil habitantes, segundo o Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Dez anos mais tarde, a capital passou para 609 mil pessoas e alcançou 1,3 milhão no fim da década de 1990.

A Caximba, por outro lado, não recebe lixo apenas de Curitiba, pois integra um Con­sórcio Intermunicipal. Por esse motivo, outros 18 municípios da região metropolitana descarregam seus resíduos no mesmo lugar. De acordo com as estimativas do IBGE, a "Grande Curi­tiba" atualmente soma quase 3 mi­­lhões de habitantes: quase três vezes mais lixo absorvido que na Lamenha Pequena.

"A dimensão do problema é menor na Lamenha", diz Aisse.

De acordo com Garcias, é impossível prever o que pode ocorrer na Caximba. "Nós sabemos de aterros com mais de 50 anos que ainda produzem chorume e gases. Teve gente que encontrou um repolho inteiro em um aterro encerrado há mais de 20 anos", diz. Outra diferença entre os espaços se deve à altura. "O lixo vai se acomodando e podem aparecer rachaduras ou quebrar a tubulação interna. É uma massa muito instável e sensível", diz Garcias.

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