
O Ministério da Educação (MEC) suspendeu a medida cautelar que proibia, desde dezembro de 2013, o ingresso de novos alunos no curso de Jornalismo da Universidade Federal do Paraná (UFPR). Após uma nova avaliação da estrutura do curso e das propostas de reformulação curricular, feita no fim de fevereiro, a Secretaria de Regulação do Ensino Superior (Seres) revogou a suspensão na terça-feira. As aulas do curso devem começar, efetivamente, na próxima semana.
As matrículas dos 25 calouros de Jornalismo aprovados no último vestibular começaram ontem e seguem até sexta-feira. Os estudantes devem apresentar a documentação exigida para o registro ao Núcleo de Assuntos Acadêmicos (NAA), no Prédio Histórico da Praça Santos Andrade. Para a próxima semana, está prevista a convocação de candidatos para preencher as vagas remanescentes, inclusive as cinco que deixaram de ser ofertadas no Sistema de Seleção Unificada (Sisu).
"Já fiz a matrícula e estou bem otimista. O que eu queria era fazer o curso na Federal. As expectativas são altas e tenho certeza de que serão correspondidas", afirma a caloura Monique Ryba Portela, 17 anos.
Para reverter a suspensão do MEC, a coordenação do curso de Jornalismo assumiu um protocolo de compromissos. Entre as propostas está a melhoria da biblioteca da graduação, que foi transferida recentemente para o campus Juvevê e deve receber, até o fim do ano, investimento de R$ 50 mil em acervo. A reforma curricular proposta já está em andamento e novas disciplinas deverão ser incluídas no programa em 2015. Além disso, um sistema de autoavaliação começou a ser estruturado.
"Para a imagem externa do curso, este episódio foi muito ruim, mas, para o ambiente interno, o compromisso dos professores com o curso foi positivo. Isso fez com que os professores se unissem em torno do curso. Não queremos passar por isso de novo", afirma o professor Mário Messagi Júnior, membro da comissão que acompanhará as mudanças no curso.
Novos alunos
Segundo a pró-reitora de Graduação da UFPR, Maria Amélia Sabbag Zainko, os novos alunos de Jornalismo não serão prejudicados. "A orientação dada aos professores foi no sentido de que o conteúdo seja reposto. Esses alunos não podem ter prejuízo. Eles sofreram as consequências desse episódio", afirma. As aulas dos cursos de Comunicação Social começaram em 17 de fevereiro e, desde então, alguns alunos mesmo não matriculados já vinham acompanhando as aulas.
"Temos a clareza de que [a suspensão imposta pelo MEC] esse era um problema conjuntural. O curso de Jornalismo tem 50 anos e não é uma graduação de má qualidade. A partir de agora teremos um acompanhamento mais constante. O resultado desse episódio será uma participação mais intensa de todos os atores [professores, alunos e administração]", diz Maria Amélia.



