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Curitiba

Jovem diz ter tido braço quebrado durante culto religioso

Ele afirma que desmaiou e foi segurado com força excessiva por pastores e obreiros. Igreja nega

Auxiliar de enfermagem afirma que teve braço quebrado por pastores e obreiros durante culto religioso | Antônio More / Agência de Notícias Gazeta do Povo
Auxiliar de enfermagem afirma que teve braço quebrado por pastores e obreiros durante culto religioso (Foto: Antônio More / Agência de Notícias Gazeta do Povo)

Um jovem de 23 anos afirma ter tido o braço quebrado durante uma celebração religiosa no último dia 25 de fevereiro. Ele acusa pastores e obreiros da igreja Visão Missionária, no bairro Boqueirão, em Curitiba, de terem usado força excessiva ao carregá-lo até o altar, depois que ele desmaiou. O rapaz, que é auxiliar de enfermagem e homossexual, registrou um boletim de ocorrência sobre o caso e contratou uma advogada. A igreja, por outro lado, alega que o homem teve um acesso de raiva e quebrou o braço quando caiu.

L.N. disse que decidiu ir à igreja para buscar "paz espiritual" depois de um rompimento amoroso. Ele conta que se sentiu incomodado já no início da celebração quando, segundo ele, o pastor disse que pessoas homossexuais e envolvidas com drogas estavam possuídas pelo demônio. "Depois ele começou a dizer que os demônios iam sair e fez uma oração, eu acho que é um tipo de hipnose que ele faz, porque quando ele apontou pra mim eu desmaiei", disse.

O rapaz não se lembra do que aconteceu nos minutos seguintes, mas os quatro amigos que estavam com ele relataram que dez homens, entre pastores e obreiros, se aproximaram e o carregaram para o altar, onde ele acordou e, assustado, começou a se debater. "Mas eles continuavam a me segurar e gritar que eu estava com o demônio no corpo, no microfone, para a igreja inteira ouvir. Nisso eu senti que meu braço estava quebrado", relatou. L.N. disse que sentia muita dor e gritava que o braço dele estava quebrado. "Eles falavam que era o demônio no meu braço e só me levaram para o hospital quando eu ameacei chamar a polícia".

O advogado da igreja, Paulo Afonso Zaina, afirma que participou do culto no dia 25 de fevereiro e tem uma versão diferente. De acordo com ele, o rapaz teve um acesso de raiva. "As pessoas com problemas são chamadas ao altar para uma oração e nesse momento ele teve um acesso de ira. Partiu para agressão e foi segurado", disse. Zaina diz que o jovem voltou para o banco, onde passou mal e desmaiou. "Depois ele foi até a frente novamente e já foi contido para não agredir outras pessoas. Pode ser que ele tenha quebrado o braço na queda e a fratura ter se agravado enquanto ele se debatia e era contido, mas em nenhum momento houve agressão por parte do pessoal da igreja", garantiu.

O rapaz foi levado ao Hospital Novo Mundo, por volta das 21h30, por dois pastores, que segundo L.N., voltaram para a igreja em seguida. No hospital, o jovem foi informado que só poderia ser atendido caso se comprometesse a pagar as despesas médicas, mas, como ele não tinha dinheiro, ligou para a amiga que ficou na igreja. A amiga conversou com os pastores e estes voltaram ao hospital e concordaram em pagar a conta. L.N. foi levado para casa e no dia seguinte para o Hospital do Trabalhador, onde foi atendido e liberado. À noite, o jovem sentiu muitas dores e percebeu que o braço estava roxo e voltou ao hospital no outro dia. Ele passou por uma cirurgia na quinta-feira (28). Colocaram um pino no meu braço e fizeram enxerto de tendão. Os médicos disseram que eu nunca mais vou poder esticar meu braço", lamenta o auxiliar de enfermagem.

L.N. reclama da falta de assistência de igreja e diz que procurou a polícia para evitar que outras pessoas passem pelo que ele passou. "Eles não compraram os remédios que eu preciso, eu tive danos psicológicos, não consigo mais ficar sozinho. Eu estava fazendo um treinamento para começar a trabalhar e tive que parar", declarou. O advogado da igreja, no entanto, afirma que o objetivo do jovem é outro. "A advogada dele entrou em contato conosco e eles pedem pagamento de aluguel dele e um salário, isso não tem cabimento. Nós o acompanhamos nos hospitais, demos toda assistência", disse. L.N. desmente a versão da igreja e afirma que pediu somente assistência para locomoção e compra de medicamentos.

Além do registro no 5º Distrito Policial, o rapaz também fez um exame de corpo delito no Instituto Médico Legal (IML) de Curitiba e procurou assistência do Grupo Dignidade e da Aliança Jovem LGBT, pois ele acredita que o que ocorreu foi um ato de homofobia. Segundo Zaina, a igreja também fez um boletim de ocorrência, mas ele não soube precisar em qual delegacia.

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