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Segurança

Jovens da Vila Ajambi caem na vida do crime

A participação de quatro jovens no arrombamento, depredação e furto da Escola Estadual da Vila Ajambi, no último dia 23, evidenciou a falta de rumo de uma juventude privada do convívio com os pais e de oportunidades de trabalho em uma região carente de Almirante Tamandaré, na região metropolitana de Curitiba. O Ajambi é uma das dezenas de vilas separadas que formam os jardins Gramados, Roma e Anita Garibaldi.

No local, a marginalidade chegou sem convite e já se aproveita da pobreza para desviar crianças e adolescentes para o mundo do crime. A primeira impressão que se tem do Ajambi é de um local tranqüilo para se morar. Não há luxo nas residências, mas as moradias (de alvenaria, na grande maioria) estão longe de representar uma favela. Chama a atenção apenas o grande número de bares – a cada duas quadras, em média, é possível achar um. A vila é cercada de área verde e está encravada em uma região acidentada, próxima ao conhecido bairro da Cachoeira. O problema é a violência, principalmente à noite.

Casos de brigas, consumo de drogas e assassinatos são comuns no local. Mas curiosamente, o que se percebe na conversa com as pessoas é que a violência ainda não é organizada. A maioria dos delitos são praticados por adolescentes, mas não há uma gangue que domine a região. "São alguns maus elementos que prejudicam toda a comunidade", diz o guardião João dos Santos, que mora há seis anos no bairro e é vigia em uma escola municipal. "Tem muita gente desocupada que fica aí pelas ruas", diz a vice-diretora da escola Vila Ajambi, Maria Aparecida Andrade.

A série de arrombamentos e furtos ocorridos nos últimos tempos teriam sido cometidos por um único rapaz, que roubava para se drogar e que já tem várias passagens pela polícia. É o mesmo jovem de 17 anos acusado de invadir o colégio. "Alguns dias antes dele entrar na escola, ele pulou o portão e tentou entrar na minha casa. Pegamos ele com a boca na botija", conta a comerciante Augusta de Souza Assunção, que mora há 16 anos na vila. "No começo do ano, ele invadiu a creche de dia, enquanto todo mundo participava da colônia de férias. Quebrou a janela do refeitório e estava fugindo com algumas panelas quando flagramos ele", conta o guardião Luis Carlos Rodrigues, que faz a vigilância em uma creche.

As drogas estão presentes nas ruas, mas apenas para consumo próprio – não há um tráfico sistemático, segundo a polícia. Porém, os moradores denunciam que já existem pontos de encontro para o consumo de maconha.

"A problemática dessa nossa violência é a falta de estrutura familiar", opina a educadora Dalva Souza Passos, diretora da creche no bairro. Para ela, a necessidade de trabalhar obriga muitos pais a deixarem os filhos até 12 horas na creche. "Eles deixam toda a responsabilidade para a escola", reclama. Mas não há vagas para todo mundo. Basta crescerem um pouco para as crianças acabarem nas ruas, à mercê das más influências.

A professora Dailde Gonçalves, da escola Vila Ajambi, diz que a participação dos pais no dia-a-dia escolar deixa muito a desejar. "Eles não estão preocupados se os filhos estão recebendo uma educação de qualidade ou não", diz, embora reconheça o papel do colégio para ocupar o tempo dos jovens. "Para eles, a escola ainda é o melhor refúgio", conclui.

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