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Protesto violento

Jovens presos pela morte de jornalista trocam acusações

Inquérito será entregue hoje ao Ministério Público. Caio de Souza e Fábio Raposo são acusados de homicídio qualificado

A Polícia Civil do Rio de Janeiro vai entregar hoje ao Ministério Público o inquérito sobre a morte do cinegrafista Santiago Andrade, atingido na cabeça por um rojão enquanto cobria para a TV Bandeiras uma manifestação na capital contra o aumento da tarifa, no dia 6 de fevereiro. Em depoimento à polícia, prestado na noite de quarta-feira, o auxiliar de limpeza Caio Silva de Souza negou ter acendido o rojão e pôs a culpa no tatuador Fábio Raposo, também investigado pela morte do jornalista.

A versão difere de entrevista concedida por Caio à TV Globo, horas antes do depoimento, em que afirmou ter acendido o explosivo. "Acendi sim", tinha respondido o rapaz. Responsável pela investigação do caso, o titular da 17.ª DP (São Cristóvão), Maurício Luciano, afirmou que a acusação de Caio a Raposo não altera a linha de investigação. O policial trata os dois manifestantes como coautores do crime de homicídio qualificado. "Caio disse que Fábio o instigou a deflagrar o rojão. Quem instiga é partícipe, quem deflagra é autor. Mas os dois praticam o mesmo crime", disse Maurício Luciano.

Ontem, a polícia ouviu uma testemunha, colega de trabalho de Caio no Hospital Rocha Faria, que disse ter recebido um telefonema do amigo, por volta das 19h30 do dia em que Santiago foi atingido, 6 de fevereiro. Segundo a testemunha, Caio disse que tinha "feito uma besteira" e "matado um homem". "A importância desse depoimento é evidente", afirmou Maurício Luciano.

Caio prestou depoimento no Complexo Penitenciário de Gericinó, em Bangu (zona Oeste do Rio), onde está preso. No depoimento, publicado pelo site do jornal Extra, o auxiliar de limpeza diz ter sido instado por Raposo a acender o explosivo, mas que apenas segurou o artefato, que pensava ser um sinalizador, enquanto o tatuador acendia.

Caio reafirmou à polícia que participou de protestos "de forma remunerada". Embora não acuse formalmente ninguém, disse acreditar "que os partidos que levam bandeiras (aos atos) são os mesmos que pagam os manifestantes" e citou PSol, PSTU, a Frente Independente Popular (FIP)

Tanto o PSol quanto o PSTU divulgaram notas em que negam ligação com a dupla presa pela morte do cinegrafista e o apoio a atos de violência durante as manifestações.

Cremação

Em uma pequena sala, reservada apenas para a família e amigos íntimos, foi cremado ontem o corpo do cinegrafista Santiago Andrade, no cemitério Memorial do Carmo, na zona portuária do Rio. Antes da cremação, o arcebispo do Rio, dom Orani Tempesta, celebrou uma pequena missa, em memória do cinegrafista.

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