São Paulo Três anos e seis meses após terem confessado planejar e assassinar o casal Richthofen, os ex-namorados Suzane e Daniel Cravinhos vão se reencontrar pela primeira vez hoje, a partir das 13 horas, quando terá início um dos julgamentos mais aguardados dos últimos anos. Mas os dois, que na época alegaram ter cometido o crime por "amor, agora estarão em lados opostos: um culpará o outro pela idéia do assassinato. Suzane, Daniel e o irmão dele, Cristian, confessaram o assassinato do casal Marísia e Manfred von Richthofen em 31 de outubro de 2002. Eles foram mortos com golpes de barras de ferro enquanto dormiam.
O crime teve grande repercussão pelas circunstâncias que o cercam. Suzane, loura e bonita, tinha então 19 anos e estudava Direito na PUC-SP. Morava com os pais e tinha uma vida de classe alta. Os dois rapazes eram de família simples e estavam desempregados.
Segundo a acusação, os três cometeram o crime porque queriam ficar com o patrimônio dos Richthofen. A Promotoria pedirá pena para cada um que pode chegar a 50 anos (embora, por lei, eles não possam ficar mais de 30 anos).
Eles são acusados de duplo homicídio triplamente qualificado motivo torpe (ficar com o patrimônio do casal), sem a possibilidade de defesa das vítimas (o casal dormia no momento do crime) e meio cruel (mortos a pauladas).
Os advogados de Suzane vão alegar que a garota foi induzida a planejar o crime após pressão psicológica de seu namorado. A defesa promete abusar da tese de que ela era uma "escrava psíquica de Daniel. O fato de ela ter perdido a virgindade com ele também será usada para convencer o júri.
Já a defesa dos Cravinhos deve insistir na estratégia que adotou durante a fase de instrução do processo, de que eles foram induzidos por Suzane. Daniel deve afirmar que continuou apaixonado por ela mesmo depois da prisão. Os advogados da garota pedirão a cisão do julgamento, sob a alegação de que a defesa será prejudicada nos debates porque seu tempo será dividido em dois pelos irmãos Cravinhos e Suzane.
Às 13 horas, entrarão na sala do 1.º Tribunal do Júri as 21 pessoas convocadas para serem juradas. Através de uma urna, sete serão sorteados. A defesa e a acusação poderão recusar três nomes. O juiz também. A fase seguinte é a do interrogatório dos réus pelo juiz, pela acusação e pela defesa. Depois, ocorrerá a leitura de parte das peças do processo, de cerca de duas mil páginas. Na fase seguinte, serão ouvidas as testemunhas de acusação e de defesa. A Promotoria convocou, inclusive, o irmão de Suzane, Andreas. Em seguida, será feito o debate entre as duas partes. Terminada essa fase, os jurados irão para a sala secreta para votar. O julgamento pode durar pelo menos três dias.



