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Corrupção

Justiça de Mônaco mantém Cacciola na prisão

Pedido de extradição do banqueiro ainda não foi formalizado

Montecarlo (Mônaco) – Salvatore Cacciola continuará desfrutando por mais algum tempo de sua vista parcial do Mar Mediterrâneo. A justiça de Mônaco, por intermédio da procuradora-geral do país, Annie Brunet-Fuser, informou que pretende manter o banqueiro preso até que seja concluída a análise de seu pedido de extradição, prestes a ser formalizado pelo governo brasileiro. O anúncio reforçou ainda mais a impressão de que as autoridades monegascas parecem dispostas a usar o caso de Cacciola como um exemplo de compromisso no combate à presença de criminosos no mais famoso paraíso fiscal do mundo.

Cacciola ouviu a decisão do próprio juiz, numa audiência que contou com a participação da advogada que o representa no caso, a italiana Alesandra Monche, e a de um profissional monegasco, como manda a legislação do país. O banqueiro chegou algemado e de camburão na tarde de ontem ao Palais de Justice. Cacciola foi preso no sábado. Na sessão, Monche não apresentou pedido de liberdade para Cacciola, algo que surpreendeu Brunet-Fuser. Na entrevista que concedeu à imprensa brasileira em seu gabinete, a procuradora-geral evitou maiores especulações sobre a decisão, mas rechaçou o argumento do advogado brasileiro do ex-dono do banco Marka, Carlos Ely Eluf, de que o regime de isenção fiscal presente em Mônaco impossibilitaria a extradição de seu cliente. "Há grande diferença entre questões fiscais e financeiras", afirmou ela.

Segundo Brunet-Fuser, a continuação do processo agora depende das autoridades brasileiras e poderá levar cerca de duas semanas. Assim que o dossiê com as acusações contra Cacciola for entregue à justiça monegasca, o processo será encaminhado ao Tribunal de Recursos, a quem cabe avaliar os argumentos em prol da extradição – Mônaco não tem tratado com o Brasil, mas por ser signatário da Convenção Internacional da Interpol, pode acatar o pedido brasileiro.

A decisão final, porém, caberá ao príncipe Albert, o regente do principado e que, de acordo com fontes do Ministério das Relações Exteriores de Mônaco, estaria disposto a reforçar os esforços do país em prol de uma boa imagem internacional.

Brunet-Fuster, por sinal, elogiou o que classificou como forte mobilização do governo brasileiro no caso.

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