Atualizado em 6/9/2006 às 17h24
A Polícia Federal de Curitiba cumpriu no início da manhã desta quarta-feira mandados de busca e apreensão na casa do procurador de Justiça Dartagnan Cadilhe Abilhoa. No local, a PF apreendeu um carro modelo BMW que seria do investigador da Polícia Civil Ricardo Abilhoa, filho do procurador, e que está foragido. Além do carro, um apartamento de Ricardo em Camboriú, em Santa Catarina, foi bloqueado pela justiça.
Durante o cumprimento do mandado, o irmão de Ricardo, Marcelo Abilhoa teria reagido e tentado agredir um agente da PF. Marcelo foi imobilizado, algemado e preso em flagrante por desacato e obstrução da justiça. De acordo com o delegado Wágner Mesquita, da PF, o procurador teria colaborado no cumprimento do mandado. Marcelo foi encaminhado para a superintendência da PF, onde chegou por volta de 10h.
Antes, porém, por volta de 8h30, a PF esteve no Instituto Médico Legal (IML) e solicitou exame de corpo delito para duas pessoas - Marcelo Abilhoa e para o agente Daniel, que teria sido agredido. Todas as pessoas que são presas, explica a assessoria da PF, antes de vir para a superintendência fazem esse exame no IML.
O mandado foi expedido pela Justiça Federal na terça-feira. De acordo com a PF, o documento determina o bloqueio das contas correntes e de todos os bens dos três filhos do procurador: Ricardo, Marcelo e Luciane, e do ex-policial Carlos Eduardo Carneiro Garcia, conhecido como Carlinhos, e de sua mulher Samanta Valério Pereira Garcia. Uma equipe da PF esteve na casa de Samanta e informou sobre a determinação judicial.
Ricardo, ao lado do ex-policial civil Carlinhos, é suspeito de extorquir U$$ 1 milhão o traficante Lucio Rueda-Bustos, também conhecido como Mexicano, no ano de 2004. A suspeita da PF, e por isso o mandado se estendeu aos irmãos de Ricardo e mulher de Carlinhos, é que os dois investigadores tenham passado bens para o nome de familiares.
Por telefone, o advogado Cláudio Dalledone disse que Marcelo, quando viu que a BMW seria apreendida, reagiu impulsionado pela emoção e que a PF cumpriu o papel dela. Sobre a prisão, o advogado garantiu o pagamento da fiança e Marcelo foi solto no final da tarde desta quarta. Sobre os mandados, Dalledone adiantou que só vai comentar quando tomar ciência do teor do documento.
Corregedoria aponta policiais civis como autores de extorsão
No fim de 2005, a Corregedoria de Assuntos Internos da Polícia Civil concluiu um inquérito que apontou os investigadores Ricardo Abilhoa e Carlinhos, como os autores da extorsão. O mexicano teria pago a quantia de U$S 1 milhão para ser liberado, após ser preso pelos policiais no cemitério da Água Verde e encaminhado para a Promotoria de Investigações Criminais (PIC), na época chefiado por Dartagnan Abilhoa.
Segundo Adonai Armstrong, que até dezembro de 2005 era delegado da Corregedoria, os bens adquiridos e declarados por Ricardo e Carlinhos são incompatíveis com a renda mensal.
Ricardo está foragido da justiça. Carlinhos, que estava foragido desde dezembro de 2005, foi preso no dia 15 de agosto no apartamento do irmão no bairro Cabral, em Curitiba. Já o traficante, preso no dia 20 de julho pela PF em São Paulo, está na superintendência da PF em Curitiba.



