Um laudo sobre a cratera do metrô divulgado nesta quinta-feira pelo Instituto de Criminalística (IC) revela que a tragédia na Estação Pinheiros, da linha 4, em janeiro de 2007, poderia ter sido evitada. Para os peritos, houve uma sucessão de erros e falta de fiscalização. Segundo eles, ocorreu um conjunto de pequenas falhas que sozinhas não poderiam causar um desastre, mas juntas resultaram na cratera que matou 7 pessoas. O laudo tem mais de 190 páginas.
O laudo do Instituto de Pesquisas Tecnológicas do Estado de São Paulo (IPT) foi divulgado em junho. De acordo com o documento, foram feitas mais detonações do que o previsto e não havia plano de emergência ou de risco na obra. Na ocasição, o Consórcio Via Amarela contestou a análise . Eles disseram ainda que o plano foi entregue e avaliado pelo Metrô. Eles apontaram causas geológicas, de condições de solo, para justificar o acidente em janeiro de 2007.
Segundo os peritos do IC, a combinação desfavorável da formação do solo era mais adversa do que prevista. O risco não foi identificado mesmo após as sondagens realizadas ao longo do trecho do túnel. Não houve paralisação cautelar da obra e uma falha de comunicação levou a uma condição de falsa segurança. O laudo conclui que por causa da necessidade de reforço na estrutura da obra, o Consórcio Via Amarela e o Metrô deveriam fazer uma revisão no contrato incluindo nele procedimentos de acompanhamento, auditoria e controle de qualidade.
Técnicos do IC garante que não houve sabotagem ou ações planejadas para prejudicar a obra do metrô. Também descarta a possibilidade de um tremor ou qualquer movimentação natural da terra ter provocado a tragédia. Os peritos afirmam ainda que não houve erro no posicionamento das máquinas de perfuração. Segundo o laudo, desde o início dos primeiros sinais de instabilidade até a queda do túnel se passaram 7 ou 8 minutos. De acordo com os peritos, seria um tempo suficiente para que os funcionários fechassem a rua e evitasse a tragédia.
- Pelo laudo, a tragédia poderia ter sido evitada. Pela prova testemunhal colhida durante a instrução, a tragédia poderia ter sido evitada. Pelo laudo do IPT a tragédia poderia ter sido evitada. Esse é o convencimento que motiva o Ministério Público a ter certeza de oferecer a denúncia - disse o promotor Arnaldo Hossepian.
O Metrô não quis comentar a falta de fiscalização e informou que o laudo do IC está sendo analisado pela companhia. Já o Consórcio Via Amarela, responsável pela obra, disse que não tomou conhecimento do laudo.



