A Proposta de Emenda à Constitução (PEC) que amplia a licença-maternidade de quatro para seis meses, aprovada no Senado na última terça-feira, gerou um impacto positivo principalmente na área de saúde. Diminuição de doenças nos primeiros meses, aumento do vínculo entre mãe e filho e até mesmo queda nas faltas de trabalho são alguns benefícios citados pelos especialistas. Para virar lei, a medida, que antes era facultativa para empresas privadas, precisa agora ser aprovada pela Câmara dos Deputados em dois turnos, com 308 votos.
O assessor para assuntos parlamentares da Sociedade Brasileira de Pediatria (SBP), Dioclécio Campos Júnior, considera que é "impossível" a PEC ser barrada. "Pode demorar um pouco, pois a tramitação costuma se arrastar em ano eleitoral. Mas não tem motivos para não passar." A pediatra da UTI neonatal do Hospital Pequeno Príncipe e presidente do Departamento de Neonatologia da Sociedade Paranaense de Pediatria, Gislayne Nieto, enfatiza que a licença de seis meses é luta antiga da SBP. "Eles sempre intercederam em todos os estados e cidades para discussão do assunto. É uma vitória." A médica salienta que os dois meses a mais vão ajudar a diminuir problemas sociais, como superlotação de creches. "A população carente encontra dificuldade para deixar o filho e voltar ao mercado de trabalho em tão pouco tempo."
Para o pediatra do Hospital Nossa Senhora das Graças, Mário Eduardo Branco, a primeira vantagem é ampliar a amamentação o Ministério da Saúde recomenda seis meses como tempo mínimo. "A mãe é obrigada a desmamar o filho quando volta ao trabalho, além de cortar um vínculo afetivo." O médico explica que a criança com seis meses completos, que já vai para uma creche, consegue suprir as necessidades nutricionais do leite materno com a introdução de outros alimentos, o que é inviável com apenas quatro meses. Ir mais tarde para a escola, aliás, evita doenças, segundo Branco. "Ela fica menos em contato com a circulação de vírus. Para ficar doente em casa, apenas se a mãe e os familiares também estiverem."
Beneficiada pela medida anterior, que já incluía empresas públicas, a técnica-financeira Graziela Pereira Esposito de Camargo, de 29 anos, enfrentaria dificuldades para acompanhar o filho Fernando, de 2 meses e 10 dias, internado na UTI por dois meses, se não fosse a licença-maternidade de seis meses. "Se fossem quatro meses, mal daria tempo de eu ficar com ele. É importante a presença da mãe. A gente vê como eles ficam carentes e sentem a nossa falta. Seis meses é muito melhor." O economista e técnico do Dieese Paraná, Cid Cordeiro, acredita que a licença ampliada ajuda a diminuir faltas no trabalho. "Há uma queda no absenteísmo, a mulher volta mais concentrada."
Identidade
A chefe do serviço de psicologia do Pequeno Príncipe, Daniela Prestes, afirma que ter mais tempo com a mãe contribui para a construção da identidade do bebê. "A criança se torna um sujeito a partir desta relação estabelecida." A psicóloga salienta, ainda, que é preciso atenção da família e da mãe para a qualidade do tempo, e não somente para a quantidade. "Quanto mais tempo mãe e filhos ficarem juntos, melhor para a saúde psíquica de ambos. Mas tem de investir neste tempo. Se a pessoa tem um ano de licença mas não se dedica, não faz diferença."
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