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Norte Pioneiro

Macacos morreram de febre amarela

No período que está fechado, o parque deixou de receber cerca de 25 mil visitantes, estima a direção | Ivan Amorim/Gazeta do Povo
No período que está fechado, o parque deixou de receber cerca de 25 mil visitantes, estima a direção (Foto: Ivan Amorim/Gazeta do Povo)

Ribeirão Claro e Maringá - Exames feitos em uma das 11 carcaças de macacos encontradas durante o mês passado em matas próximas à Represa de Xavantes, em Ribeirão Claro, no Norte Pioneiro, mostram que a morte foi causada por febre amarela. A informação é da Secretaria Municipal da Saúde. A Secretaria de Estado da Saúde ainda não quis confirmar os resultados. Amostras das outras carcaças, que também foram analisadas, acabaram sendo descartadas por conta do estado dos animais.

De acordo com os técnicos da 19ª Regional de Saúde, com sede em Jacarezinho, ainda não é possível determinar a origem da doença, uma vez que ainda faltam os resultados dos exames feitos nos insetos capturados na região onde os macacos bugios foram encontrados. Esses exames podem determinar se os animais mortos adquiriram a doença na mata onde foram encontrados ou se foram contaminados em outras regiões e migraram até as matas de Ribeirão Claro.

A febre amarela é uma doença que afeta macacos e homens. Nos macacos, o vírus é transmitido por dois mosquitos, o Haemagogos e o Sabetis. "Quando pessoas entram nos campos, elas podem ser picadas também por esses mosquitos contaminados, que contaminaram os macacos, levando depois a doença para as cidades", afirma a secretária de Saúde de Ribeirão Claro, Ana Maria Baggio. Ou seja, a ocorrência de casos entre macacos indica que há mosquitos portadores do vírus que podem contaminar humanos.

Em regiões onde há o Aedes aegypti, no entanto, há o risco de se instalar uma epidemia urbana. "Isso porque o transmissor da dengue também é vetor do vírus da febre amarela", completa Ana Maria.

No Norte Pioneiro não há registro da doença há mais de 30 anos, mas o aparecimento de 42 casos da febre amarela e o registro de oito mortes no Sudoeste paulista, a cerca de 80 quilômetros da divisa com o Paraná, fez com que as os organismos de saúde ficassem atentos ao aparecimento de animais mortos, indício da presença da doença na região.

Desde o alerta, a 19ª Regional de Saúde adotou medidas preventivas e determinou vacinação em massa na zona rural de oito cidades que estão na divisa com o estado de São Paulo. A Secretaria de Estado da Saúde deve se pronunciar hoje sobre o resultado dos exames.

Maringá

O Parque do Ingá, um dos principais pontos turísticos de Maringá, continua com as portas fechadas ao público. A proibição do acesso, no dia 16 de abril, se deu depois que alguns macacos começaram a aparecer mortos dentro da área verde. Um mês depois, a doença que matou os primatas ainda não foi diagnosticada e os visitantes estão impedidos de entrar no parque.

A atitude foi determinada pelas secretarias de Saúde estadual e municipal, depois que nove saguis morreram com suspeita de terem contraído febre amarela. A hipótese da doença provocou uma correria da população aos postos de saúde para se vacinar contra a febre amarela. A suspeita foi descartada pelo Instituto Adolfo Lutz, de São Paulo, no início de maio. De lá para cá, a doença desconhecida já matou 16 primatas.

Um laboratório de Curitiba investiga a possibilidade de outras patologias terem afetado os macacos, como hepatite, varicela, arenavírus e raiva.

Dirceu Vedovello, veterinário e chefe da seção de vigilância em saúde, acredita que os animais podem ter contraído o arenavírus (coreomeningite) A deonça está presente em secreções e feridas de roedores. Os animais apresentam febre, anorexia, depressão e hepatite.

O veterinário afirma que não há risco eminente de contaminação de seres humanos, já que o contágio da coreomeningite se dá por meio do contato humano com secreções e feridas de roedores, e não dos macacos.

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