A doméstica Andréia de Freitas, 28 anos, foi condenada a 19 anos e seis meses de prisão pelo assassinato da enteada, Gabriela, de 7 anos, com 98 facadas, em Curitiba. A sentença foi dada pelo 1º Tribunal do Júri por volta das 2h10 na madrugada desta quarta-feira (13). A doméstica foi considerada culpada por seis dos sete jurados. O crime foi triplamente qualificado por motivo torpe (sem justificativa aparente), por meio cruel e sem possibilitar a defesa da vítima.
À época do crime, em agosto de 2005, Andréia estava grávida do ex-companheiro Valdeci Golçalves dos Santos, pai de Gabriela. A doméstica confessou que cometeu o assassinato por sentir ciúmes da atenção que o marido dava à menina, que sofria de insuficiência renal. O pai da menina foi uma das cinco testemunhas ouvidas no Tribunal.
O julgamento durou cerca de 16 horas. Andréia já estava presa havia dois anos no presídio feminino em Piraquara, na região metropolitana de Curitiba, para onde retornou ao término do julgamento.
O advogado Luiz Antônio Martins Barbosa Júnior, do Núcleo de Prática Jurídica da Pontifícia Universidade Católica do Paraná (PUCPR) informou que a instituição, responsável pela defesa da ré, analisa a possibilidade de encaminhar um recurso de apelação ao Tribunal de Justiça para revisão da pena.
"Nós acreditamos que Andréia se encaixa numa situação de semi-imputabilidade, em que sua capacidade de discernimento de seus atos estava reduzida". Até o momento, Andréia optou por não fazer a apelação. "Estamos analisando a situação e aguardando uma posição definitiva dela, que talvez não esteja disposta a se submeter ao desgaste de um novo julgamento", disse o advogado.
O crime ocorreu no bairro Hugo Lange, em Curitiba, na casa em que a família vivia. Andréia estava sozinha com a criança na residência e teria tido um acesso de fúria, após Gabriela ter derrubado uma lata de óleo no chão, enquanto brincava. A criança foi jogada com violência no chão e ficou desacordada. Andréia então teria arrastado Gabriela para um quarto e a esfaqueado. Segundo as investigações, a mulher teria tentado queimar o corpo da menina.



