
A nutricionista Christiane Vitola de Carvalho Santos diz que quer amamentar seu filho pelo menos até ele completar 1 ano de idade. Lucas nasceu há apenas 24 dias. Se ela conseguir cumprir seu objetivo, vai superar, em muito, o período médio de amamentação no Brasil. A 2ª Pesquisa de Prevalência do Aleitamento Materno nas Capitais Brasileiras, realizada pelo Ministério da Saúde, mostra que o tempo médio em que os bebês mamam exclusivamente no peito passou de 35,5 dias para 51,2 dias em nove anos. E o aleitamento não exclusivo também subiu, de 296 dias para 342 dias entre 1999 e 2008.
Em Curitiba, onde Christiane vive, as mães alimentam seus filhos exclusivamente com leite materno, em média, durante 56,6 dias. Em 1999 isso era feito durante 40,5 dias. A nutricionista conta que nos dois primeiros dias "foi de chorar de dor", mas que ela não se arrepende de ter decidido levar a amamentação adiante. A decisão foi tomada ainda durante a gravidez. Naquele período, ela e o marido frequentaram um curso uma vez por semana, durante sete semanas, para se preparar.
O levantamento também registrou uma redução de 15% no uso da chupeta em crianças com menos de um ano, passando de 57,7% para 42,6%. Em Curitiba, o porcentual caiu de 61,7% para 50,6%. Além disso, pela primeira vez a pesquisa avaliou o uso da mamadeira adotada por 58,4% das crianças. A maior frequência foi no Sudeste (63,8%) e a menor, no Norte (50%). Na capital paranaense, 53% das crianças usam a mamadeira.
Muito a fazer
Apesar dos avanços apontados pela pesquisa do Ministério da Saúde, o país ainda está longe de atingir os indicadores adequados. A Organização Mundial da Saúde preconiza o aleitamento exclusivo até os 6 meses de vida (180 dias) e o aleitamento parcial até os 2 anos (730 dias). A pesquisa foi realizada com entrevistas a mães nas capitais e mais 239 municípios em outubro de 2008, durante a Campanha Nacional de Vacinação. Os resultados consideram dados de cerca de 118 mil bebês.
A pediatra Elsa Giugliani, coordenadora da área técnica de Saúde da Criança e Aleitamento Materno do Ministério da Saúde, comemora os resultados, mas reconhece que há muito a fazer para que o Brasil alcance o padrão estabelecido para a amamentação. Segundo Giugliani, a OMS considera "bom o indicador de um país que tenha ao menos 80% das crianças com menos de 6 meses em amamentação exclusiva, mas o Brasil tem 41% dos bebês nessas condições.
Elsa diz que a estratégia do Ministério da Saúde para aumentar o tempo de amamentação é investir na implantação total da Rede Amamenta Brasil, criada no ano passado e que tem como objetivo capacitar profissionais para auxiliar as mães durante o aleitamento. "Faltava uma política de aleitamento nas unidades básicas de saúde, onde efetivamente as mães são acompanhadas.
A pediatra Claudete Closs, coordenadora do Programa de Aleitamento Materno de Curitiba (Proama), diz que muitas mães param de amamentar mais cedo por falta de informação e por falta de apoio da família e da sociedade. "Sempre tem alguém na família dizendo que ela tem de oferecer outros alimentos, água e chá para o filho menor de 6 meses", critica ela. E o desmame precoce, completa, faz com que o bebê tenha o nível de anticorpos reduzido e fique mais suscetível a doenças.
Nesta primeira semana de agosto, quando é comemorada a Semana Mundial da Amamentação, Claudete Closs está passando os dias na tenda montada na Boca Maldita para sanar as dúvidas das mães. O atendimento é feito das 9 às 17 horas.




