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Infância

Mães estão amamentando por mais tempo

Em nove anos, período que bebês brasileiros passam mamando exclusivamente no peito passou de 35,5 para 51,2 dias. Conforme Organização Mundial da Saúde, ainda é pouco

Christiane pretende amamentar Lucas até 1 ano de idade: garantia de maior nível de anticorpos | Antonio Costa/Gazeta do Povo
Christiane pretende amamentar Lucas até 1 ano de idade: garantia de maior nível de anticorpos (Foto: Antonio Costa/Gazeta do Povo)
Compare o número de dias de alimentação exclusiva com leite materno nas capitais brasileiras entre 1999 e 2008 |

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Compare o número de dias de alimentação exclusiva com leite materno nas capitais brasileiras entre 1999 e 2008

A nutricionista Christiane Vitola de Carvalho Santos diz que quer amamentar seu filho pelo menos até ele completar 1 ano de idade. Lucas nasceu há apenas 24 dias. Se ela conseguir cumprir seu objetivo, vai superar, em muito, o período médio de amamentação no Brasil. A 2ª Pesquisa de Prevalência do Aleitamento Materno nas Capitais Brasileiras, realizada pelo Mi­­nistério da Saúde, mostra que o tempo médio em que os bebês mamam exclusivamente no peito passou de 35,5 dias para 51,2 dias em nove anos. E o aleitamento não exclusivo também subiu, de 296 dias para 342 dias entre 1999 e 2008.

Em Curitiba, onde Christiane vive, as mães alimentam seus filhos exclusivamente com leite materno, em média, durante 56,6 dias. Em 1999 isso era feito durante 40,5 dias. A nutricionista conta que nos dois primeiros dias "foi de chorar de dor", mas que ela não se arrepende de ter decidido levar a amamentação adiante. A decisão foi tomada ainda durante a gravidez. Naquele período, ela e o marido frequentaram um curso uma vez por semana, durante sete semanas, para se preparar.

O levantamento também registrou uma redução de 15% no uso da chupeta em crianças com menos de um ano, passando de 57,7% para 42,6%. Em Curitiba, o porcentual caiu de 61,7% para 50,6%. Além disso, pela primeira vez a pesquisa avaliou o uso da mamadeira – adotada por 58,4% das crianças. A maior frequência foi no Sudeste (63,8%) e a menor, no Norte (50%). Na capital paranaense, 53% das crianças usam a mamadeira.

Muito a fazer

Apesar dos avanços apontados pela pesquisa do Ministério da Saúde, o país ainda está longe de atingir os indicadores adequados. A Organização Mundial da Saúde preconiza o aleitamento exclusivo até os 6 meses de vida (180 dias) e o aleitamento parcial até os 2 anos (730 dias). A pesquisa foi realizada com entrevistas a mães nas capitais e mais 239 municípios em outubro de 2008, durante a Campanha Nacional de Vacinação. Os resultados consideram dados de cerca de 118 mil bebês.

A pediatra Elsa Giugliani, coordenadora da área técnica de Saúde da Criança e Aleitamento Materno do Ministério da Saúde, comemora os resultados, mas reconhece que há muito a fazer para que o Brasil alcance o padrão estabelecido para a amamentação. Segundo Giugliani, a OMS considera "bom’’ o indicador de um país que tenha ao menos 80% das crianças com menos de 6 meses em amamentação exclusiva, mas o Brasil tem 41% dos bebês nessas condições.

Elsa diz que a estratégia do Ministério da Saúde para aumentar o tempo de amamentação é investir na implantação total da Rede Amamenta Brasil, criada no ano passado e que tem como objetivo capacitar profissionais para auxiliar as mães durante o aleitamento. "Faltava uma política de aleitamento nas unidades básicas de saúde, onde efetivamente as mães são acompanhadas.’’

A pediatra Claudete Closs, coordenadora do Programa de Aleitamento Materno de Curitiba (Proama), diz que muitas mães param de amamentar mais cedo por falta de informação e por falta de apoio da família e da sociedade. "Sempre tem alguém na família dizendo que ela tem de oferecer outros alimentos, água e chá para o filho menor de 6 meses", critica ela. E o desmame precoce, completa, faz com que o bebê tenha o nível de anticorpos reduzido e fique mais suscetível a doenças.

Nesta primeira semana de agosto, quando é comemorada a Semana Mundial da Ama­men­tação, Claudete Closs está passando os dias na tenda montada na Boca Maldita para sanar as dúvidas das mães. O atendimento é feito das 9 às 17 horas.

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