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Guerra contra o tráfico

Mangueira terá 380 policiais

Morro foi ocupado no domingo pelas forças de segurança e terá 18 Unidades de Polícia Pacificadora do Rio

Morro ocupado no domingo terá o maior número de agentes entre as Unidades de Polícia Pacificadora instaladas no Rio | Severino Silva/Ag. O Dia
Morro ocupado no domingo terá o maior número de agentes entre as Unidades de Polícia Pacificadora instaladas no Rio (Foto: Severino Silva/Ag. O Dia)

Em aproximadamente 40 dias, quatro comunidades do Morro da Mangueira, no Rio de Janeiro, deverão receber uma Unidade de Polícia Pacificadora (UPP) com cerca de 380 policiais. Será o maior número de agentes empregados em uma UPP – a unidade da Cidade de Deus tem 326 agentes e a do Morro do Borel conta com 290. A UPP da Mangueira deverá ser dividida em quatro bases provisórias em contêineres. Ontem, cerca de 180 policiais ocuparam as vias de acesso e o interior da favela para a instalação da 18ª UPP da cidade.

Barreiras montadas por traficantes para impedir a entrada de policiais em um dos acessos do morro, na localidade conhecida como Buraco Quente, foram derrubadas ontem por agentes da prefeitura do Rio. Desde a manhã, funcionários de vários órgãos municipais estiveram na comunidade para iniciar a regularização dos serviços públicos. Policiais da Delegacia de Repressão ao Roubo e Furto de Automóveis vasculharam os morros para recolher carros e motos e o Batalhão de Operações Policiais Especiais (Bope) distribuiu panfletos com fotos de traficantes do Comando Vermelho (CV) que estão foragidos. A Polícia Militar acredita que os traficantes fugiram para as favelas da Baixada Fluminense e da Vila Kennedy, na zona Oeste da cidade.

A nova UPP fecha o cinturão de segurança que está sendo criado em torno do complexo do estádio do Maracanã, onde haverá jogos da Copa do Mundo de 2014 e da Olimpíada de 2016.

Comunidade

A prefeitura do Rio estima que 22 mil pessoas moram nas favelas da Mangueira e nas vizinhas de Telégrafos, Parque Candelária, Bartolomeu Gusmão e Tuiuti, que também foram ocupadas. Ontem, os órgãos municipais e estaduais recolheram mais de 30 toneladas de lixo nas favelas, limparam valas de esgoto e derrubaram 74 barracas de vendedores que atuavam irregularmente debaixo de um viaduto. A demolição provocou protestos.

"Tenho 56 anos e dependo disso aqui para viver. Estamos aqui por ordem da prefeitura, desde 1998. Na época, eles disseram que iam dar quiosques padronizados dentro de um programa de urbanização", disse a vendedora Con­ceição Aparecida. O subprefeito da zona Norte, André Santos, prometeu que nessa semana o projeto de urbanização com quiosques padronizados estará pronto.

Apesar de a maioria dos moradores não comentar a operação, a expectativa é que a qualidade de vida aumente. "Acho que vai melhorar. Vai ter até lazer. Lim­peza, água, esgoto, quadras e áreas de lazer", disse Romildo dos Santos, dono de um bar.

Gatonet

A instalação de UPPs em comunidades antes dominadas pelo tráfico no Rio trouxe um efeito colateral: os moradores se viram forçados a abrir mão de serviços ilegais como a chamada "gatonet". A tevê por assinatura ilegal, que é barata e acessível, estava tão institucionalizada em locais como o Complexo do Alemão que os militares que ocupam as favelas desde novembro informaram ao governo que o fim da gatonet havia gerado um foco de insatisfação popular.

O governo estadual fez uma parceria com a Embratel para que a empresa ofereça seu pacote básico de canais por assinatura por R$ 29,90, abaixo dos R$ 30 cobrados pelos operadores da gatonet. O mesmo pacote, com 46 canais de tevê e 30 de música, é oferecido por R$ 69,90 para o assinante co­­mum. O governador do Rio, Sérgio Cabral, teria se comprometido a encaminhar um projeto de lei para isentar da cobrança de ICMS operações de banda larga como contrapartida. A parceria será lançada hoje. O serviço será oferecido inicialmente nos complexos do Alemão e da Penha, e depois estendido às demais comunidades pacificadas. O público é estimado de 500 mil a 1 milhão de pessoas.

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