A Marcha das Vadias, evento surgido no Canadá e que já se espalhou por várias cidades do mundo e do Brasil, ocorrerá neste sábado (16) em Curitiba. Chamada de Slut Walk em inglês, a manifestação surgiu na cidade de Toronto como repúdio à afirmação de um policial, durante uma palestra, de que as mulheres deveriam evitar se vestir como "vadias" para não sofrerem abuso sexual ou estupro.
A afirmação ganhou os jornais e provocou uma onde de protestos. No Brasil, cidades como São Paulo, Recife, Brasília e Florianópolis já realizaram a marcha, organizada pelos movimentos de mulheres locais. Em Curitiba, a ideia foi comprada por cinco mulheres ligadas ao movimento pela igualdade de gênero, que criaram um blog e um perfil na rede social Facebook para angariar adeptos. Até hoje, mais de 10 mil pessoas haviam confirmado presença no sábado. Elas esperam que pelo menos 10% dos internautas compareçam.
A concentração da marcha ocorrerá em frente à estação-tubo do Passeio Público, no centro, às 11h. Depois, a marcha seguirá até a Praça Dezenove de Dezembro (Praça do Homem Nu) e subirá a Rua Barão do Serro Azul, em direção ao Paço da Liberdade, na Praça Generoso Marques. Dali seguirá para a Boca Maldita, onde haverá discursos e um piquenique.
Uma das organizadoras da marcha, a atriz Stephany Mattanó afirma que o nome da manifestação, embora choque algumas pessoas, tem o objetivo de chamar a atenção para uma causa - a de que mulheres são atacadas todos os dias, e grande parte delas sequer chega a denunciar a violência. Apenas em Curitiba, de acordo com dados da Delegacia da Mulher, cerca de 1 mil boletins de ocorrência são registrados a cada mês, mas muitas desistem de levar o inquérito adiante, o que mascara a realidade a respeito do problema. "[o nome] É um antimarketing, mesmo, mas é esse o objetivo. Queremos passar a mensagem de que se mexerem com uma, mexerão com todas".
Uma das principais discussões da marcha é a respeito da liberdade da mulher de se vestir e se portar de acordo com sua convicções, sem o medo de ser molestada ou ofendida verbalmente. Entre as frases que começam a aparecer nos eventos estão "Minha saia não tem nada a ver com você" e "A sociedade ensina: 'não seja estuprada', ao invés de ensinar 'Não estupre'. É hora de mudar essa mentalidade".



