
Mais uma edição da Marcha das Vadias aconteceu na manhã deste sábado (05)no Centro de Curitiba. De acordo com Jussara Melo, uma das organizadoras do evento, sete mil pessoas foram convidadas a participar da manifestação por meio de uma rede social e cerca de duas mil estavam presentes na marcha. A contagem da Polícia Militar avaliou em 350 o número de manifestantes no momento da concentração.
A concentração dos manifestantes teve início às 11h na Praça Dezenove de Dezembro, conhecida como Praça do Homem Nu, onde alguns participantes pintavam o corpo e faziam os últimos preparativos para a passeata. A marcha tem como principal objetivo chamar a atenção da sociedade para os direitos das mulheres.
Após o primeiro ato, na própria praça, os manifestantes iniciaram a caminhada por volta das 12h20, que seguiu pela Rua Cândido de Abreu em direção à Catedral de Curitiba e depois à Boca Maldita. Com o sol e a temperatura agradável que faz na cidade, muitas mulheres tiraram a camiseta e marcharam de sutiã ou com os seios à mostra, além dos corpos pintados. Homens e crianças também integraram o público da manifestação, que seguiu ao som de gritos como "Vem, vem, vem pra rua, vem, contra o machismo".
O sociólogo Thiago de Goes acompanhava a namorada na marcha e disse acreditar que o papel do homem no movimento é o de apoio na desconstrução do machismo nos diferentes setores onde ele existe. "Elas são as protagonistas, mas é importante que saibam que não estão sozinhas nessa luta", afirma.
Causas
A violência contra a mulher e a culpabilização da vítima estão entre os principais temas levantados pela Marcha das Vadias, como lembra Jussara. "O Paraná é o terceiro estado em número mulheres assassinadas. Precisamos acabar com o machismo patriarcal que culpa as mulheres pelas violências que sofrem", destaca.
A atriz Maite Schneider, presente na manifestação, conta que participou de todas as edições do evento, pois acredita que ele representa uma forma de conscientizar a população sobre a igualdade de direitos entre todas as pessoas. "Nossa cidade ainda é muito reprimida, há muita intolerância e preconceito. Temos que lutar por um lugar onde as pessoas possam ser felizes, ter seu direito verdadeiro à liberdade", diz.
Para professora Elisa Barbieri, que estava acompanhada da mãe, a farmacêutica Edna Barbieri, a marcha possibilita às pessoas conhecerem mais sobre o movimento feminista e lutarem contra a homofobia, o racismo e outras formas de preconceito. "Muita gente não sabe o que é e pensa que a marcha é uma brincadeira. Nós precisamos do feminismo, queremos igualdade não só para as mulheres, mas para todas as bandeiras, incluindo o direito dos animais", afirma.
Como surgiu a marcha
A Marcha das Vadias começou em 2011, em Toronto, no Canadá, em protesto a afirmação de um policial durante uma palestra que se as mulheres quisessem evitar um estupro elas não deveriam se vestir como vadias. A manifestação já foi realizada em diversos países e no Brasil passou pelas capitais Belo Horizonte (MG), Brasília (DF), São Paulo, Rio de Janeiro e Recife (PE), entre outras.






