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Em Londrina, médicos aderem ao voluntariado

Na contramão da falta de profissionais no serviço público, alguns londrinenses doam horas de trabalho para ajudar população carente

Rossana Resende: “Recebemos tanta coisa boa em troca, não custa ajudar” | Gilberto Abelha
Rossana Resende: “Recebemos tanta coisa boa em troca, não custa ajudar” (Foto: Gilberto Abelha)

Eles seguem na contramão do noticiário. Em meio à falta de médicos em cidades do interior, o desinteresse por salários oferecidos na rede pública e a vinda de estrangeiros para suprir a demanda local, profissionais de Londrina fazem trabalho de "formiguinha" para contribuir por uma saúde melhor. Eles doam parte de seu tempo para atender pacientes que não podem pagar por uma consulta médica ou um plano de saúde.

Quem é adepto da iniciativa diz que cada minuto de voluntariado vale a pena. "Recebemos tanta coisa boa em troca, não custa ajudar", diz a gastroenterologista Rossana Amin Graciano Resende. Ele colabora há mais de dez anos com o Centro de Atendimento Social Ágape (Casa), entidade ligada à Paróquia Nossa Senhora das Graças, na Vila Brasil, que articula as consultas solidárias na cidade. O atendimento é feito no consultório da própria médica.

No caso de Rossana, a profissional procura abrir agenda aos pacientes carentes sempre que é solicitada. "É muito gratificante, a pessoa que está sendo atendida sabe que tem alguém lhe ajudando, não está abandonada. Podemos ver a gratidão delas", define a médica.

Além da especialidade de Rossana, há médicos voluntários na área de neurologia pediátrica, ginecologia, clínica geral e dermatologia. "Os profissionais doam consultas de acordo com sua disponibilidade. Alguns têm uma cota por mês, como uma consulta por semana, outros atendem sem restrição", relata a assistente social do Casa, Carla Mastelini. Segundo ela, as horas doadas por cada especialista não costumam ultrapassar quatro horas semanais, mas ajudam e muito no atendimento de pessoas carentes. "Os pacientes acabam passando pela consulta antes do que se ficassem na fila do Sistema Único de Saúde (SUS). São pessoas de toda a cidade, inclusive da área rural, e não só ligadas à paróquia", comenta.

Neste ano, o serviço oferecido completou 11 anos. Além dos médicos, outros profissionais, como fisioterapeutas, enfermeiros e psicólogos, atuam junto à entidade. Desenvolvido com apoio de instituições de ensino superior, o trabalho, enfatiza Carla, é reconhecido pela rede pública de serviços, que também faz encaminhamentos para a entidade. "O pessoal dos postos nos envia pacientes, dos dez Centros de Referência de Assistência Social (CRAS) da cidade, de casas de abrigo. Temos conseguido encaixar bem nossa demanda de acordo com o que é oferecido por esses médicos", relata.

Para o atendimento, é feito um processo de triagem, para descobrir se o paciente se encaixa nos critérios do programa. Em todas as situações, é necessário ser de baixa renda e ter um encaminhamento médico para a especialidade requerida.

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