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Maringá

Festival de Cinema começa sem representantes locais na Mostra Competitiva

Dos 36 filmes, só dois são do Paraná. O curta-metragem Duas Garotas, Um Banheiro, Traição foi rodado em Maringá, mas considerado como sendo de São Paulo

O curta-metragem Duas Garotas, Um Banheiro, Traição, de Eliton Oliveira, não custou nem um centavo sequer | Divulgação
O curta-metragem Duas Garotas, Um Banheiro, Traição, de Eliton Oliveira, não custou nem um centavo sequer (Foto: Divulgação)

O Festival de Cinema de Maringá começou na sexta-feira (21) com um cenário no mínimo curioso. Apesar de estar na sétima edição, a participação de filmes locais praticamente inexiste. Pelo menos na Mostra Competitiva, que, apesar de ser o filé mignon do evento, teve apenas um filme do município inscrito. O título, aliás, foi desclassificado, por não estar de acordo com o regulamento. A mostra, composta por 36 produções, é dominada pelos Estados do Rio de Janeiro (10 selecionados), São Paulo (8) e Ceará (4). Do Paraná só há dois filmes, ambos de Curitiba.

O organizador do festival, Pery de Canti, afirma que a baixa participação de Maringá na Mostra Competitiva não aponta para a inexistência de produção cinematográfica local. "A produção de filmes é contínua e crescente no município", diz. "Por conta do festival, notamos que várias pessoas estão tentando fazer cinema." Para sustentar a afirmação, ele diz que o Festivalzinho Tudo em Poucos Minutos, que integra programação do evento, traz apenas curtas-metragens de maringaenses sobre a Copa do Mundo, tema da sétima edição. A quantidade de títulos inscritos, no entanto, não foi divulgada até o início da tarde de sexta-feira (21).

O bacharel em comunicação social com habilitação em cinema e mestre em cinema e vídeo Rodrigo Oliva diz ter uma opinião diferente. Para ele, Maringá não é um polo de produção audiovisual e a maior parte das pessoas que se identificam como cineastas no município não passam de aventureiros. Desse modo, "não dá nem para falar em realidade cinematográfica [local]". "Assim como em várias outras cidades brasileiras, falta qualificação profissional, criatividade de conteúdo e estética, linguagem de destaque e entendimento da realidade regional para a maioria das pessoas que fazem filmes", comenta.

Para Oliva, a realidade poderia ser diferente se houvesse, por exemplo, a oferta do curso de graduação de comunicação social com habilitação em cinema nas instituições de ensino superior do município. Além disso, mesmo para quem entende do negócio, há a resistência de empresas privadas em financiar projetos culturais, um dos principais obstáculos para a produção cinematográfica. "Em São Paulo, Rio de Janeiro e Recife, a realidade é diferente, porque as pessoas têm acesso à formação profissional e as empresas são mais atentas a esses projetos."

Representante indireto

Indiretamente, o curta-metragem digital Duas Garotas, Um Banheiro, Traição, dirigido por Eliton Oliveira, é um representante de Maringá na Mostra Competitiva. Apesar de ter sido selecionado como produção de São Paulo, o filme foi inteiramente produzido e editado em Maringá. "O filme foi provavelmente considerado como de São Paulo porque minha produtora [Gato na Árvore Filmes] está localizada em São Paulo", afirma. As locações foram no Moinho Vermelho Buffet e no Shopping Maringá Park.

Apesar de a produtora ser de São Paulo, Oliveira continua morando em Maringá, onde escreveu, produziu e dirigiu dois curtas-metragens. Além de Duas Garotas, Um Banheiro, Traição, ele também lançou A Garota da Loja de Livros, em 2007, que lhe rendeu o prêmio de Melhor Curta-Metragem no FestCine Florianópolis em 2009. Antes, ele já trabalhou em outros cinco filmes que foram produzidos em Ubiratã (PR), onde nasceu, Cascavel (PR) e Campinas (SP).

O detalhe mais curioso sobre Duas Garotas, Um Banheiro, Traição é que todo o trabalho não custou um centavo sequer. "Todo o equipamento foi emprestado, as locações foram negociadas e as duas atrizes [Waleska Nayane Müller e Priscila Buiar], além de não cobrarem nada, cuidaram do próprio figurino e maquiagem", afirma. O filme é quase inteiramente ambientado em um banheiro feminino, onde as personagens discutem traição.

Em Maringá, ele diz considerar que o maior empecilho para os projetos culturais é a falta de patrocínio das empresas, independentemente se são do cinema, da música ou do teatro. "Tenho dois projetos de curtas-metragens engavetados por falta de apoio e recursos", lamenta. É até por esse motivo que ele diz pretender se mudar para São Paulo, onde as oportunidades são mais numerosas.

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