A maioria das pessoas está acostumada a considerar violência contra mulher somente os casos nos quais a esposa ou companheira é espancada pelo cônjuge. No entanto, a violência psicológica também é considerada crime e, segundo psicólogos, pode trazer conseqüências piores do que a agressão física.
Segundo a psicóloga da Universidade Estadual de Maringá (UEM) Maria Tereza Gonzaga, as "feridas invisíveis" são as mais difíceis de curar. "Imagina o que é ter uma pessoa que te insulta todos os dias, por muitos anos, falando que você é feia, que não presta para nada, que é incapaz de viver sozinha. Uma pessoa que controla o seu comportamento e sua maneira de vestir através de ameaças e outras humilhações. Tudo isso acaba com o amor-próprio de uma pessoa, sua alegria de viver", explica a professora.
O Centro de Referência e Atendimento à Mulher de Maringá atende cerca de 4.600 mulheres por ano. São pessoas pedindo alimentos e transporte, mas principalmente relatando casos de violência doméstica. Segundo a secretária da Mulher, Terezinha Pereira, 31,14% dos atendimentos prestados em 2008 são de violência psicológica. "Elas chegam até nós com a auto-estima minada. São insultadas com tanta freqüência que acabam acreditando que aquilo é verdade e que a culpa é realmente delas. Nosso maior desafio é dar subsídios para que as vítimas consigam recuperar a dignidade e acreditar na própria capacidade", diz.
De acordo Maria Tereza, essas mulheres geralmente são depressivas e inseguras. "Elas não têm alegria e vivem com medo de tomar iniciativas, pois não acreditam mais em suas próprias capacidades", diz. Para a psicóloga, a agressão psicológica pode trazer conseqüências piores que a física. "Quando alguém te bate aquilo é visível, mas quando a violência é psicológica, a comprovação é difícil e a situação continua por mais tempo", ressalta.
Provar uma violência psicológica é complicado, mas não impossível. Segundo a delegada da Delegacia da Mulher de Maringá, Paula Rodrigues Nunes, se houver testemunhas do ato, o agressor pode ser autuado em flagrante e pegar de um a seis meses de detenção ou pagar uma fiança determinada pelo juiz. "Nós atendemos muitos casos assim, o problema é que a maioria das vítimas vem, faz o registro, mas não dá continuidade ao caso", afirma Paula.
A secretária da Mulher também faz a mesma queixa. Segundo ela, a explicação é que a maioria das vítimas tem uma ligação emocional muito forte com o companheiro. "O problema geralmente não é financeiro, mas afetivo. Elas acreditam que os agressores vão mudar, que devem respeito ao marido, pois ele é o homem da casa, o pai dos filhos, enfim, prolongam a situação até o limite", diz Terezinha.
Para a psicóloga da UEM, as mulheres devem ser felizes, mas sabendo que isso deve acontecer independentemente do companheiro. "Infelizmente na maioria das vezes o agressor não muda. A mulher tem que se conscientizar da sua importância, procurar ajuda especializada e se livrar dessa situação, que só vai acabar com a sua vida", ressalta Maria Tereza.
O Centro de Referência e Atendimento à Mulher de Maringá oferece vários cursos profissionalizantes gratuitos para vítimas de violência doméstica, além de fornecer ajuda jurídica, psicológica e de assistentes sociais. O CRAM fica na Avenida Humaitá, 774, Zona 4. O telefone é (44) 3901-1093.



