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História

Livro conta a saga britânica que colonizou parte do Norte e Noroeste paranaense

Pesquisador, arquiteto e professor da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Renato Leão Rego retrata a influência britânica na colonização das cidades do Norte e Noroeste entre 1924 e 1944 no livro “As Cidades Plantadas”

Portal contruído em Cornélio Procópio ostentando bandeira britânica para receber o principe de Gales m 1931 | Arquivo pessoal
Portal contruído em Cornélio Procópio ostentando bandeira britânica para receber o principe de Gales m 1931 (Foto: Arquivo pessoal)
Lovat, o

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Lovat, o

Maringá: perfil urbanístico característico de cidade-jardim como o de Letchworth, na Inglaterra |

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Maringá: perfil urbanístico característico de cidade-jardim como o de Letchworth, na Inglaterra

Lord Simon Josefh Lovat Fraser, um dos fundadores da companhia Parana Plantations Limited, foi um dos principais responsáveis pela formação regional e urbana do Norte e Noroeste do Paraná. Aventureiro e apelidado de Indiana Jones inglês, Lovat e sua empresa "plantaram" boa parte das principais cidades da região. O apelido dado a Lovat foi criado pelo pesquisador, arquiteto e professor da Universidade Estadual de Maringá (UEM), Renato Leão Rego, autor do livro Cidades Plantadas, lançado recentemente.

A obra de Renato Leão reúne documentos, fotos e relatos apaixonantes sobre a influência britânica na construção dos municípios nas duas regiões do Paraná. Conta também o perfil das chamadas cidades-jardim, como Maringá, que foi projetada sob a concepção britânica de urbanismo.

O livro relata a saga de Lovat e a revolução urbanística realizada pela Parana Plantations entre 1924 e 1944. Na década de 1920, a empresa britânica, matriz da Companhia de Terras Norte do Paraná e da Companhia Ferroviária São Paulo-Paraná, começa a colonização do norte do estado. A partir da compra da linha férrea que ligava Ourinhos ao centro da Parana Plantations, com posto em Londrina, a ferrovia fez com que os assentamentos urbanos surgissem alinhados ao longo dos trilhos. Pioneiros e imigrantes ocuparam as terras em torno do trilho. "A linha férrea foi a norteadora de praticamente todo o empreendimento da Parana Plantation", diz o professor.

Na época, a ferrovia ligava municípios próximos de Londrina (a filha de Londres) até Mandaguari. De acordo com o professor Renato Leão, as cidades não foram "plantadas" aleatoriamente, mas seguiam uma deliberada configuração. "Em toda cidade existia uma estação ferroviária onde a cidade crescia em volta do terminal. E em torno de cada município existiam as áreas verdes com as plantações agrícolas, principalmente as de café", explica.

As novas cidades seguiram o padrão urbano britânico: uma estação ferroviária como ponto de origem da cidade; igreja, escola e prefeitura na área central; e cemitério afastado do Centro. "Todas as cidades ‘plantadas’ pela companhia tinham a mesma identidade. Além da estrutura padronizada, os municípios eram rodeados pelas plantações, como uma espécie de cinturão verde", explica o professor. Além de Londrina, o professor cita Apucarana, Cambé, Rolândia, Arapongas, Apucarana e Mandaguari como exemplo da padronização.

A Parana Plantations

Fundada por Lovat, a companhia britânica Parana Plantation Ltd., com sede em Londres, foi responsável pelas grandes transformações territoriais empreendidas na porção superiror do estado. A empresa atuou no Paraná entre os anos de 1924 e 1944, quando foi liquidada e vendida a Companhia Melhoramentos Norte do Paraná.

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