Por conta da falta de mão de obra local, um frigorífico com sede em Maringá, responsável pela produção de frango para cinco marcas nacionais, decidiu contratar trabalhadores estrangeiros. Em duas semanas, 214 haitianos e seis senegaleses vão integrar o novo quadro de funcionários das unidades no Noroeste do Paraná, em Maringá e em Paranavaí.
Entre segunda-feira (3) e esta sexta-feira (7), 132 haitianos chegaram à região. O restante, cerca de 90, deve vir até a próxima semana. Eles vão trabalhar nos setores de abate, corte e embalagem das carnes. . "Decidimos contratá-los devido à carência de mão de obra na região", explicou em nota o coordenador de Recursos Humanos (RH) da empresa, Adenilson Xavier.
Esta é a terceira vez que o frigorífico recruta profissionais estrangeiros as duas primeiras foram somente para Paranavaí. Em 2012, um grupo de dez pessoas foi admitido. Em abril deste ano, houve outros 43. "Se fossemos buscar essa mão de obra aqui, talvez teríamos dificuldade em concluir a ampliação dos negócios da empresa."
Muitos desses trabalhadores falam três idiomas e têm curso superior. Segundo o departamento de RH, essas características permitem o crescimento e a evolução dentro da própria empresa. "Essas pessoas impressionam pelo grau de determinação e DE carisma. Trazê-las permitiu a ampliação da diversidade cultural no ambiente de trabalho, assim como a sensibilização dos outros colaboradores para a atenção e cuidado com o próximo."
Entre os profissionais que chegaram em abril, um haitiano foi designado como o responsável pela comunicação e integração dos novos contratados. Integrante da atual equipe de RH, ele comandará e orientará as atividades dos estrangeiros nos primeiros dias de trabalho. Xavier revela que, mesmo com a recente contratação de 220 estrangeiros, ainda existem outras 400 vagas abertas nas unidades de Maringá e de Paranavaí. Segundo a assessoria de imprensa, o crescimento de 20% nas vendas para 70 países impulsionam a expectativa de faturamento de mais de R$ 1 bilhão para este ano.
Estrangeiros receberão auxílio por três meses
De acordo com a assessoria de imprensa do frigorífico, os estrangeiros são formalmente registrados, recebem benefícios e premiações assim como os profissionais brasileiros. O diferencial dos haitianos e dos senegaleses é que eles recebem durante três meses subsídio de moradia e de alimentação no alojamento. O grupo recém-recrutado ficará hospedado em um edifício de sete andares locado pela empresa em Flórida, a cerca de 50 quilômetros de Maringá.
Haitianos no Brasil
O Brasil tem atualmente cerca de 9 mil haitianos em situação regular, de acordo com o Ministério da Justiça. Não se sabe ao certo quantos trilharam o caminho em direção ao Paraná, mas muitos têm vindo atrás de emprego.
Em 2010, o Haiti foi devastado por um terremoto que deixou milhares de mortos e mais de 3 milhões de pessoas desabrigadas. Com a tragédia, a economia do país se desestabilizou e o número de desempregados aumentou consideravelmente.
Uma das alternativas encontradas para driblar este cenário foi a imigração. No Brasil, Brasileia (AC) é um dos pontos de entrada dos haitianos. Foi nesta cidade que muitos deles foram selecionados para o trabalho em Maringá e em Paranavaí.



