A venda de pacotes turísticos para a Copa do Mundo na África do Sul, cuja primeira partida acontece nesta sexta-feira (11), ficou abaixo do esperado em Maringá. De acordo com pesquisa solicitada pelo JM à Associação das Agências de Viagens de Maringá (Amav), apenas seis pacotes foram vendidos entre as 14 agências que prestaram informações.
Ao todo, sete pessoas de Maringá vão para Joanesburgo. O número não corresponde nem a 3% da quantidade de moradores da cidade que foram assistir aos jogos da Copa da Alemanha, em 2006. "As agências esperavam uma procura muito maior", revela o presidente da Amav, Paulo Rodrigues.
"Na Copa de 2006, pelo menos 200 pessoas do município foram para a Alemanha", diz o gerente de turismo Natanael Rodrigues dos Santos Júnior. De acordo com a Amav, no mínimo 147 pacotes foram vendidos para a Alemanha em Maringá.
A reportagem entrevistou gerentes de diversas agências de viagens. Todos eles partilharam da opinião do presidente da Amav. No entanto, alertaram que o número de maringaenses que vão para a Copa pode ser maior, já que alguns clientes optam por comprar pacotes em outras cidades, notadamente São Paulo. Além disso, nem todas as agências responderam à pesquisa da Amav.
Explicações
Para os gerentes, vários fatores explicam a escolha dos maringaenses por não ir assistir aos jogos de perto. Em todas as entrevistas, os motivos apontados são praticamente idênticos.
Uma das gerentes, Denise Rodrigues, diz considerar que o motivo principal é o preço dos pacotes. Segundo ela, o pacote mais simples, de oito noites, sai por pouco mais de R$ 17 mil, tomando o câmbio do dólar a R$ 1,85. Se o cliente quer assistir a toda a competição, o pacote de 32 noites sai por pouco mais de R$ 58 mil. "Os preços são muitos elevados", disse.
A gerente Rosimeire Violi Ribeiro afirmou que, além dos preços, a segurança também foi um fator que afugentou muitos clientes. "Percebi isso quando eles [os clientes] vinham pesquisar pacotes para a Copa", contou. "Primeiro, eles se espantavam com os preços e, depois, ponderavam sobre a segurança do país, que tem um histórico de violência."
Para o gerente Natanael Rodrigues dos Santos Júnior, o fator principal foi a vitória do Brasil na disputa pela sede da competição em 2014. "Antes de o Brasil ser escolhido, a procura era grande", contou. "Só que, depois disso, as pessoas estão preferindo guardar dinheiro, para assistir aos jogos no Brasil."
Outros motivos
Os entrevistados apontaram ainda outros possíveis motivos. Um deles, unânime, é a falta de interesse do turista brasileiro pela África. Segundo Júnior, o continente não está entre os mais badalados. "Houve uma época, durante a exibição da novela O Clone [exibida pela Rede Globo, entre 2001 e 2002], em que muitas pessoas foram para o Marrocos ou para o Egito, mas, hoje, vendo, no máximo, cinco pacotes para safári na África."
Para Denise, se a competição fosse realizada na Europa ou na América do Norte, a procura seria maior. "Na Europa, as pessoas podem viajar para vários países", disse. "Além disso, o preço para viajar pela Europa é muito mais barato do que ir para a África do Sul, sobretudo por conta da logística, porque são poucos os aviões que saem do Brasil para aquele continente."
Denise acrescenta, ainda, a epidemia da Gripe A H1N1 no ano passado. Segundo ela, a procura por pacotes enfraqueceu em função da doença.



