
O mau tempo e a operação-padrão desencadeada por funcionários de empresas aéreas causaram atrasos em um quarto dos voos programados para todo o país ontem. Segundo a Infraero (estatal que administra os aeroportos), 24,7% dos voos domésticos e 19,5% dos voos internacionais atrasaram até as 18 horas.A chuva que fechou o Aeroporto Santos Dumont, no Rio de Janeiro, por pouco mais de uma hora na noite de domingo, teria causado um efeito cascata na manhã de ontem. Segundo as companhias, o temporal obrigou um remanejamento das decolagens. O que se viu nos principais aeroportos brasileiros foram grandes filas e espera, principalmente durante a manhã. A situação só voltou ao normal à tarde. O clima também prejudicou as operações em Minas Gerais.
Já a "operação de não colaboração" que aeronautas (pilotos e comissários) e aeroviários (funcionários que atuam em terra) realizam desde a quinta-feira passada é uma represália à paralisação da negociação salarial. A intenção é forçar a reabertura do diálogo. Os trabalhadores negociam a convenção coletiva cuja data-base é 1.º de dezembro.
O secretário-geral do Sindicato Nacional dos Aeroviários, Marcelo Schmidt, explica que o salário médio da categoria é de R$ 900 e que a reivindicação é de um reajuste de 30% para quem recebe salários próximo ao salário mínimo e 15% para quem recebe acima disso. As empresas, porém, aceitam apenas repor a inflação, o que siginificaria um reajuste de 5,5%. "A ideia é fazer [a operação-padrão] nas principais capitais. Não estão descartados, inclusive, grandes atrasos em Curitiba", alerta. Hoje, em São Paulo, está prevista uma manifestação a partir das 5 horas no saguão do Aeroporto de Congonhas.
Transtornos
Os principais problemas com voos ocorreram nos aeroportos de São Paulo e do Rio. Em Congonhas, das 183 previsões de pousos e decolagens, 46 delas (25%) atrasaram e 25 foram canceladas (13,7 %). Em Guarulhos, dos 162 voos, 43 tiveram atrasos (26,5 %) e cinco foram cancelados (3%).
No Rio, a situação foi ainda pior. O porcentual de atraso foi de 36% no aeroporto do Galeão e 39,8% no Santos Dumont. Houve ainda 27 voos cancelados nos dois aeroportos cariocas. A empresa que teve a maior proporção de voos domésticos atrasados foi a Azul, com 44% de partidas e chegadas fora do horário. A companhia atribuiu os problemas "ao remanejamento de sua malha por conta do fechamento do Santos Dumont" na noite de domingo e informou que voltou a cumprir pontualmente os horários de seus voos durante a tarde de ontem.
Já a TAM e a Gol afirmaram que os atrasos de 26,6% e 22,6% dos voos, respectivamente, foram consequência dos temporais que prejudicaram as atividades nos aeroportos do Rio e de Minas. A TAM afirmou que "teve alguns voos alternados" e que "precisou remanejar sua malha, gerando atrasos e cancelamentos". A companhia garante que deu a assistência devida aos passageiros afetados pelos atrasos.
No Paraná, o aeroporto de Foz do Iguaçu ficou fechado ontem por 8 horas devido à neblina e isso refletiu no cumprimento do horário dos voos. Seis deles atrasaram mais de meia-hora (37,5%) e outros três (19%) foram cancelados. No Afonso Pena, na região metropolitana de Curitiba, 15 voos atrasaram e cinco foram cancelados.



