
Ponta Grossa - O cirurgião pediátrico Augusto Garofani e o anestesista Nilton Pedroso foram indiciados em inquérito policial pela morte de João Victor Baratella Matos, de 4 anos. O menino morreu depois de passar por uma cirurgia nas amídalas e na adenóide no Hospital Bom Jesus, em Ponta Grossa, nos Campos Gerais, no ano passado. O relatório da delegada Cláudia Krüger foi concluído e entregue ao Ministério Público, que poderá oferecer denúncia contra os profissionais.
Na manhã de 3 de maio do ano passado, João Victor foi submetido à operação, que durou 40 minutos. Logo ao chegar ao quarto, seu abdome começou a inchar. O quadro se agravou e ele teve que se submeter a uma nova cirurgia, desta vez, no estômago, mas não resistiu.
O atestado de óbito demonstrou que João Victor teve ruptura no estômago e ar no peritônio e na cavidade pleural, além de complicações anestésicas. Ainda há controvérsia sobre como o ferimento haveria sido causado. Os pais denunciaram o suposto erro médico à Polícia Civil e ao Conselho Regional de Medicina (CRM) do Paraná. A delegada ouviu 27 pessoas, num inquérito que somou 700 páginas.
No CRM, o processo ético-profissional contra o anestesista foi arquivado, mas a família do garoto recorreu ao Conselho Federal de Medicina (CFM), em Brasília. Já o processo contra Garofani está na fase final. O CRM não divulga informações sobre o caso porque os processos correm em sigilo.
A delegada disse que chegou à conclusão do indiciamento pelos depoimentos. O inquérito só foi relatado agora, um ano e quatro meses após a sua instauração, pela complexidade do caso. "Havia também muitas pessoas que eram de fora e tiveram que ser ouvidas", completa.
A mãe de João Victor, a advogada Liciane Baratella Matos, diz que está na expectativa com relação à posição do Ministério Público. O advogado da família, Fernando Madureira, adianta que vai defender a tese de dolo eventual, aquele em que não há a intenção de matar, mas assume-se o risco. O promotor de Justiça designado para o caso, Silvio Couto Neto, diz que se pronunciará depois de analisar o inquérito. "Vou avaliar o que existe de concreto e se os dados são suficientes para alguma posição do MP", acrescenta.
A advogada do cirurgião, Dircéia Moreira, afirma que o caso é muito complexo e que, no dia da morte, João Victor passou por 12 médicos. Ela descarta a culpa do cliente, bem como a possibilidade de dolo eventual, avaliando que o ocorrido foi uma "fatalidade". O advogado de Nilton Pedroso, Henrique Henneberg, alega que, ao contrário do que diz o atestado de óbito, não houve complicações anestésicas no paciente e que seu cliente não teve participação na morte de João Victor.



