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Manifesto

Médicos se revoltam com caos na saúde

Profissionais reivindicam reajuste na tabela do SUS e melhores condições de trabalho

Médicos protestam hoje por melhorias nas condições de trabalho no Sistema Único de Saúde (SUS). Organizado pelo Conselho Federal de Medicina (CFM), Associação Médica Brasileira (AMB) e Federação Nacional dos Médicos (Fenam), o Dia Nacional do Protesto será centralizado no Paraná no Hospital de Clínicas (HC), onde às 10 horas representantes das três entidades apontarão números que demonstram o colapso da saúde pública.

Para o presidente da Associação Médica do Paraná (AMP), José Fernando Macedo, um dos principais problemas do SUS está na tabela dos procedimentos médicos, congelada desde 1999. Macedo cita o pagamento de consultas: R$ 2, subindo para R$ 10 se o médico for especialista. "Esses valores deveriam subir para no mínimo 50% da tabela da Associação Médica Brasileira", defende o presidente da AMP.

Segundo Macedo, os médicos foram forçados a realizar esse protesto para serem ouvidos. Mesmo assim, o médico teme que ele e outros colegas que lutam por melhorias estejam "falando para as nuvens." "É um absurdo. O governo destina milhões para a realização do Pan, assim como para a Copa do Mundo (2014). Mas para a saúde, que é um direito básico do cidadão, nunca há verba", compara.

O presidente do Conselho Regional de Medicina do Paraná (CRM- PR), Gerson Zafalon Martins, ressalta que por causa da baixa remuneração do SUS, os médicos são obrigados a acumular serviços em mais de um posto de trabalho. Martins aponta pesquisa recente do CFM que demonstra que 60% dos médicos têm vínculos com o sistema público de saúde. Desses, 90,5% trabalham em até três lugares. "Como ele ganha por produção e a remuneração do SUS é baixa, ele tem que buscar outras fontes de renda para se manter, o que o deixa sobrecarregado", alerta Martins.

O resultado disso é que muitos médicos chegam a cumprir até 100 horas de trabalho semanais, fazendo inclusive plantões de 48 horas. "Um motorista de ônibus é proibido de dirigir mais de 12 horas seguidas. Mas um médico tem que cuidar de vidas trabalhando dois dias inteiros seguidos sem dormir", enfatiza o presidente do CRM-PR.

Emenda 29

Outra reinvidicação diz respeito à emenda 29, que tramita no Senado e exige que o poder público cumpra a Constituição, com a União destinando 10% do orçamento para a saúde; os estados, 12%; e os municípios 15%. Além da União e alguns estados não cumprirem a determinação, a inclusão de obras de saneamento básico no orçamento da saúde também contraria os médicos. "Se for assim, esporte também é saúde, educação também é saúde, cultura também é saúde. Esse dinheiro deve ser investido exclusivamente no combate de doenças", ressalta Macedo.

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