Nos corredores das instituições de ensino e nos consultórios médicos, corre o burburinho de que o médico que busca a área de Saúde da Família não foi capaz de se especializar em outro ramo da Medicina. Uma das recomendações do TCE ao Ministério da Saúde é a tentativa de inclusão, na grade curricular das facudades, de conteúdo direcionado à formação generalista com ênfase na atenção básica. O preconceito é acompanhado pela ignorância: muitos desconhecem o trabalho e as diversas qualidades exigidas.
Na contramão da medicina especializada de hoje, os profissionais envolvidos em programas de atenção básica precisam ter conhecimento geral, lembrando os médicos de família de antigamente. "O médico que atua nessa área precisa ter conhecimento generalista. É preciso saber todos os ciclos de vida, medicina da mulher e medicina da criança, além de trabalhar com a relação de família das pessoas", explica a dentista Roberta Vaz de Mello, autoridade sanitária da Unidade de Saúde do Rio Bonito, no Campo do Santana.
Roberta alega que, para muitos profissionais, essa área de atuação é considerada até como "subcategoria". "Trabalhar em saúde da família é visto de forma pejorativa. Os médicos ainda veem essa especialidade como menos importante", afirma. Por outro lado, o surgimento de especializações e pós-graduações na área começa a reverter esse quadro.



