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Transporte escolar

Melhora em ônibus rural é para poucos

Estudos técnicos federais recomendam modificações para melhor segurança dos alunos. No Paraná, nem toda a frota é atendida

Alunos da zona rural chegam à escola em Cascavel: quatro mil crianças transportadas, nem sempre dentro das especificações recomendadas de segurança | Cesar Machado/Vale Press
Alunos da zona rural chegam à escola em Cascavel: quatro mil crianças transportadas, nem sempre dentro das especificações recomendadas de segurança (Foto: Cesar Machado/Vale Press)

Cascavel - Os ônibus que transportam estudantes na zona rural necessitam de alterações para melhorar o desempenho e dar mais segurança aos alunos. É o que apontou estudo do Centro de Formação de Recursos Humanos em Transportes da Universidade de Brasília (Ceftru/UnB), que desde 2005 faz pesquisas contínuas para avaliar o desempenho do transporte escolar rural no Brasil. Levantamentos técnicos sugeriram uma série de modificações às montadoras e em alguns programas de governo as recomendações foram adotadas. No Paraná, o programa estadual não beneficia toda a frota. Atende só os municípios com menos de 100 mil habitantes.

A pesquisa apontou mudanças necessárias como chassi mais alto para diminuir as colisões em vias irregulares. Além disso, os veículos necessitam ser dotados de pneus tipo borrachudo – considerado mais viável nas estradas de terra –, vidros verdes para reduzir o calor interno, tacógrafo com GPS, poltronas modelo sofá, cintos de segurança, faróis traseiros e limitador de velocidade para 70 km/h, entre outros recursos. A recomendação também se refere à porta de serviço, que deve ter vão livre de 1,10 metro, para facilitar o deslocamento de cadeirantes.

Os ônibus distribuídos em 2009 pelo governo federal, por meio do Programa Caminho da Escola, atendem às recomendações. Coronel Vivida, no Sudoeste do Paraná, foi escolhida para uma pesquisa piloto que avaliou o desempenho dos veículos adaptados. Técnicos da UNB e do Fundo Nacional de Desen­vol­vimento da Educação (FNDE) percorreram estradas rurais do município paranaense e de outras 15 cidades nas cinco regiões brasileiras, totalizando um percurso superior a 20 mil quilômetros. Em setembro, será apresentado um relatório parcial sobre o desempenho dos veículos e o resultado final da pesquisa ficará pronto no final do ano.

De acordo com Willer Car­valho, que gerenciou a pesquisa, apesar de o relatório final ainda não estar concluído, a avaliação realizada em Coronel Vivida mostra que o desempenho no transporte dos alunos após a adequação dos ônibus melhorou. "Essas mudanças atenderam ao que a gente pretendia para melhorar o transporte rural", disse. Segundo ele, os novos ônibus estão trafegando com mais segurança e conforto, além de chegarem a locais com terrenos acidentados, onde outros veículos não conseguiam trafegar.

Déficit no Paraná

O Paraná começou a entregar no início do ano 1.140 ônibus para o transporte de alunos na zona rural do estado. De acordo com a Secretaria de Estado da Educação, os veículos atendem às normas estabelecidas pelo FNDE, baseada na pesquisa da UNB, para adotar os novos padrões aos veículos. As mudanças, no entanto, estão longe de atingir toda a frota do transporte escolar rural. O programa estadual, por exemplo, só beneficia municípios com população de até 100 mil habitantes.

Em Cascavel, na Região Oeste do estado, são transportados diariamente cerca de quatro mil alunos residentes em comunidades rurais. Os ônibus que fazem o transporte são de duas empresas que prestam serviço à prefeitura. Em alguns municípios, as administrações possuem frota própria, mas as recomendações da UNB não são levadas em consideração na hora de comprar um veículo novo. O coordenador da pesquisa explica que os municípios não são obrigados a seguir as recomendações. "Nós fizemos uma orientação ao Ministério da Educação, mas cada prefeitura é livre para fazer as compras dos veículos", declara Carvalho.

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