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Supersalários

Mello desafia deputados a trocar de salário com ele

Ironia repercute no Congresso

São Paulo – O presidente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), ministro Marco Aurélio Mello, lançou ontem, em São Paulo, um desafio aos parlamentares que desejam congelar o salário dos ministros do Supremo Tribunal Federal (STF) por quatro anos, até que as remunerações dos integrantes dos três poderes sejam equiparadas e um teto salarial possa ser estabelecido de forma definitiva pelo Congresso.

"Eu faço um desafio: troco o que ganho pelo que ganha um deputado e um senador. Vamos colocar no lápis as vantagens dos parlamentares. Se as vantagens não forem três vezes maiores do que recebe um ministro do STF, eu deixo a cadeira que tenho no Judiciário", afirmou.

Mello informou que tem um ordenado bruto hoje de R$ 24,5 mil e criticou o governo, sob argumento de que o vencimento dele cai muito após os descontos. "Eu ganho R$ 24,5 mil, mas tenho um sócio, que é o próprio Estado. Aí, meu líquido fica em torno de R$ 17 mil", cutucou.

Reação

As palavras de Mello repercutiram no Congresso. "O salário dos parlamentares é menor. Verba de gabinete não é salário, é pagamento de funcionários. Verba para correio é para postagem. Meu cargo não é vitalício. Salário é salário, mas não vejo (as palavras de Marco Aurélio) como provocação", disse o líder do PR na Câmara, deputado Luciano Castro (RR).

O líder do PFL no Senado, José Agripino Maia (RN), disse que os parlamentares não devem entrar no debate com Marco Aurélio. Segundo o senador, o Congresso deve priorizar a discussão de assuntos prioritários para o país – e não os subsídios dos próprios parlamentares.

"Não vou entrar na polêmica de quanto ganha cada um. O parlamento precisa ter fôlego para discutir projetos, e não ficar discutindo se o seu salário é maior ou menor", criticou Agripino.

O senador Eduardo Suplicy (PT-SP) subiu à tribuna do Senado para cobrar que os ministros do STF também exponham detalhadamente "vantagens e apoios que recebem para exercer o cargo". O presidente da Câmara, Arlindo Chinaglia (PT-SP) ainda não se manifestou sobre a polêmica. Os deputados Raul Jungmann (PPS-PE) e José Carlos Aleluia (PFL-BA) afirmaram que o ministro deveria ser convidado pela Câmara a participar das discussões sobre salários. "Acho que o ministro está certo. Tem que parar com esses penduricalhos nos salários dos deputados. Os dois ganham muito e a questão é discutir a redução desses valores", afirmou Aleluia.

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