
SÃO PAULO - A menina de 9 anos de Alagoinha (a 230 km do Recife), que estava grávida de gêmeos, teve os fetos abortados na manhã de ontem. De acordo com o hospital que realizou o procedimento, o estado de saúde dela é bom. Há suspeita que o padrasto tenha engravidado a garota.
A gravidez foi interrompida por volta das 10 horas. O procedimento foi executado pelo médico Olímpio Moraes, do Centro Integrado de Saúde Amaury de Medeiros (Cisam). De acordo com Fátima Maia, diretora do Cisam, que é ligado à Universidade Federal de Pernambuco, a menina passou à tarde por uma curetagem procedimento cirúrgico para remover os restos fetais depois de um abortamento provocado.
Para os casos previstos expressamente na legislação, como o estupro e o risco de morte para mãe que se aplicam a esse caso, segundo a diretora do Cisam , não é preciso autorização da Justiça nem boletim de ocorrência.
Por volta das 14h30, ela descansava na sala de recuperação pós-anestésica. O hospital não registrou nenhuma complicação durante o aborto. Ela estava internada desde a última quinta-feira no Imip (Instituto Materno Infantil de Pernambuco).
Estupro
O padrasto da garota, um rapaz de 23 anos, foi preso na última quinta, no município de Alagoinha, por estupro. Ele é acusado de vir mantendo relações sexuais com a garota há cerca de três anos.
O rapaz confessou o crime e, em depoimento, admitiu também ter estuprado sua outra enteada, de 14 anos, portadora de deficiências física e mental, afirma a polícia. A Polícia Civil não revelou o nome do suspeito para que a identidade da criança seja preservada.
Em depoimento, o padrasto confirmou que começou a assediar as duas meninas desde que passou a morar com a família, há três anos. Segundo ele, as enteadas o provocavam.
O crime veio à tona no último dia 25, após um exame médico a que a garota foi submetida no município de Pesqueira. Ela foi atendida após relatar queixas de tonturas e enjoos.
Durante o exame clínico foi constatado que ela estava grávida de gêmeos. A gravidez da garota já somava 16 semanas, segundo informações colhidas pelo Conselho Tutelar junto ao hospital onde a garota foi atendida. "A vítima disse que ele já vem mantendo relação com ela desde os 6 anos", afirmou o conselheiro Cláudio Roberto, do Conselho Tutelar de Alagoinha.
O secretário estadual de Desenvolvimento Social e Direitos Humanos de Pernambuco, Roldão Joaquim, prometeu "redobrar os esforços para que o suspeito continue preso e pague pela selvageria".
Revolta
O caso provocou revolta e tensão nos cerca de 14 mil moradores do pequeno município encravado no agreste de Pernambuco. "É o padrasto! O povo tentou até pegar ele para linchá-lo mesmo, aí a polícia teve que tirar ele de perto do povo", disse a dona da casa Salete de Almeida, 44, que mora a poucos metros da casa da vítima.
O caso é investigado pela Polícia Civil de Alagoinha, mas é possível que o acusado fique detido em um município vizinho por questões de segurança.



