Rio e Curitiba Apenas 47,9% dos brasileiros usam preservativos na primeira relação sexual. A revelação faz parte da pesquisa The Face of Global Sex 2007 First sex: an opportunity of a lifetime (Primeira relação sexual: uma oportunidade para toda a vida), realizada por uma fabricante de preservativos com 26 mil entrevistados em 26 países. No quesito proteção, o país campeão foi a Polônia, onde 63,2% dos entrevistados disseram ter usado preservativos quando perderam a virgindade. O Brasil ocupa a sétima colocação.
Já a idade média com que o brasileiro inicia sua vida sexual é de 17,4 anos. Entre os 26 países pesquisados, o Brasil ocupa o segundo lugar no ranking do início da vida sexual, perdendo apenas para a Áustria. O resultado surpreendeu quem trabalha com jovens e educação sexual no Brasil. "Eu achei que a média fosse bem menor", diz Rodrigo Amaral, coordenador do Instituto de Juventude Contemporânea, de Fortaleza.
Elevado ou não, o índice traz à discussão se o jovem está ou não preparado para iniciar sua vida sexual na adolescência e se a sociedade brasileira está estruturada para atender às demandas dessa população. Especialistas concordam em dizer que o país ainda é muito conservador. "Nós já avançamos muito, mas precisamos encarar o que está acontecendo e abrir espaço para o diálogo", afirma Antônio Carlos Egypto, fundador do Grupo de Trabalho e Pesquisa em Orientação Sexual na Adolescência, de São Paulo. Egypto vê deficiências na forma como as escolas tratam do tema. "São ações pontuais e, por isso, insuficientes. Nem os profissionais de saúde estão preparados para abordar o assunto."
Fernanda Graneiro, coordenadora do Núcleo de Estudos da Saúde do Adolescente (Nesa), do Rio, vê uma contradição nessa abordagem. "Temos uma sociedade que estimula o apelo erótico a toda hora. No entanto, nosso conservadorismo nos impede de falar abertamente sobre sexualidade com os jovens", explica.
O início cada vez mais precoce da vida sexual exige também a preparação do sistema de saúde para atender à nova demanda. "São pessoas que não se encaixam nem na pediatria nem no atendimento para adultos. Precisamos de espaços de saúde com equipes multidisciplinares, que não atendam exclusivamente à questão da sexualidade, mas que promovam oportunidades para discutir o tema", diz Fernanda. A psicóloga curitibana Adriana Biselli endossa: "Há a necessidade de espaços terapêuticos, que dêem atenção ao aspecto emocional e colaborem para que o adolescente desenvolva autonomia sexual", explica.



