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Painel

Miragem

Brandido extra-oficialmente pelo governo federal como prova de que Congonhas estaria em plenas condições de funcionamento, o laudo do IPT sobre a pista principal do aeroporto não existe. O instituto, ligado à USP, emitiu dois laudos sobre a pista auxiliar – o terceiro está previsto para hoje. Os relativos à pista principal, onde ocorreu o acidente com o Airbus da TAM, devem sair nos dias 27 deste mês, 7 e 17 de agosto. Nenhum desses documentos trata ou tratará dos chamados "groovings" – ranhuras cuja ausência facilita derrapagens – nem têm caráter "deliberativo". Em texto redigido ontem para desfazer a confusão, o IPT explica que seu contrato com a Infraero prevê a auditagem de itens como a composição do asfalto, e não "emitir uma liberação formal da pista".

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Digitais – O Palácio dos Bandeirantes enxerga o ministro Franklin Martins (Comunicação) na origem da história segundo a qual um laudo do IPT teria "liberado"’ a pista principal de Congonhas. "Estão tentando empurrar o problema para São Paulo", afirma o vice Alberto Goldman.

Cabeça fria – Lula, que ontem cedo submeteu-se a uma pequena cirurgia no olho, fez em seguida uma reunião com auxiliares no Planalto munido de bolsa de gelo.

Empacou – Enquanto Lula faz "road show" pelo país para anunciar obras de saneamento do PAC, nenhum tostão dos R$ 350 milhões destinados pelo programa ao transporte aéreo – rubrica que abrange aeroportos – foi pago. Há R$ 302,5 mil empenhados.

Para poucos – Um comandante da TAM confidenciou a um deputado da CPI do Apagão Aéreo que, desde a liberação da pista de Congonhas, há uma determinação expressa da empresa de que só comandantes, e nunca os co-pilotos, efetuem pousos no aeroporto.

Quem manda 1 – Causou espécie a defesa enfática das condições de Congonhas feita pelo presidente da TAM, Marco Antônio Bologna, na entrevista ontem. Ao lado da Gol, a empresa não sossegou até obter da Infraero a liberação da pista reformada.

Quem manda 2 – Desde os primórdios da crise, a Aeronáutica trabalha para reduzir o movimento em Congonhas a 44 slots (pousos e decolagens) nos horários de pico. A Anac, sempre pronta a atender as empresas, pressionou pela manutenção de 48 slots. A Aeronáutica também recomendou que Congonhas, sob chuva, fechasse para pousos. Mais uma vez, perdeu.

Doméstico – À diferença do que ocorreu no desastre da Gol, quando havia "os americanos" para culpar, a briga desta vez se dará entre a Aeronáutica e a Anac, que ficaram em lados opostos nas discussões sobre Congonhas.

Nem aí – O troféu insensibilidade de ontem foi para o superintendente de engenharia da Infraero, Armando Schneider Filho, que, em tom impaciente e arrogante, assegurou que a pista é 100% segura. Fez lembrar Denise Abreu, diretora da Anac que chocou familiares das vítimas do acidente da Gol ao dizer que, como a colisão ocorrera no ar, seria impossível achar corpos.

Bate-cabeça – O TCU vai designar o Exército para periciar a pista de Congonhas. A PF usará o Instituto Nacional de Criminalística. O Ministério Público de São Paulo escalou o Instituto de Criminalística do Estado. Já a Aeronáutica fará análise própria.

Caladão 1 – Parlamentares das duas CPIs do Apagão Aéreo que estiveram em São Paulo para tentar obter informações sobre o acidente não tiveram acesso a fitas de diálogos entre a torre e os comandantes do vôo JJ 3054. Mas a PF e o Ministério Público já solicitaram as gravações.

Caladão 2 – Integrante da CPI da Câmara, Ivan Valente (PSol-SP) vai solicitar todas as gravações dos contatos entre controladores de Congonhas e pilotos nos últimos quatro dias, período em que o aeroporto operou sob chuva.

"Tranquilis" – Do presidente da Anac, Milton Zuanazzi, em entrevista concedida um mês atrás: "A crise aérea está longe de ser uma crise".

Tiroteio

Do presidente nacional da OAB, CEZAR BRITTO, sobre o acidente com o Airbus-A320 da TAM, precedido pelo do Boeing da Gol e por quase dez meses de transtornos nos aeroportos:

– Antes eu viajava e não sabia o horário em que iria chegar ao meu destino. Agora, viajo e não sei se vou chegar vivo.

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