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Segurança Pública

“Módulos móveis são para já”

Leon Grupenmacher, secretário estadual da Segurança Pública

 | Brunno Covello/ Gazeta do Povo
(Foto: Brunno Covello/ Gazeta do Povo)

No primeiro dia como secretário da Segurança Pública do Paraná, o médico-legista Leon Grupenmacher, 46 anos, se apresentou como uma "solução caseira", mas "técnica", e reconheceu as dificuldades do novo cargo, porém ressaltou que não vai prometer o que não conseguirá cumprir. Por isso, durante entrevista concedida na sede da Gazeta do Povo, na tarde de ontem, ele afirmou que o estado não construirá todas as 12 delegacias cidadãs prometidas, em razão da escassez de recursos. "Sobre as delegacias cidadãs, a totalidade delas, lógico que não serão construídas, mas o máximo possível, dentro dos recursos do Funesp [Fundo Estadual de Segurança Pública] e do BNDES [Banco Nacional do Desenvolvimento]", disse. Por outro lado, ele anunciou uma boa notícia. O processo de aquisição dos cem módulos móveis está em fase final e, em breve, estarão reforçando o policiamento nas ruas de Curitiba.

Grupenmacher ainda explicou que participou de todas as reuniões das câmaras técnicas sobre a segurança na Copa do Mundo e que tem o aval das polícias Civil e Militar para assumir a cadeira de secretário.

Como foi o convite do governador para ser secretário da Segurança Pública?

Ocorreu ontem [anteontem]. A ideia era que fosse uma pessoa da casa, que fosse funcionário de carreira e que tenha o apoio das polícias Civil e Militar. Foi uma solução caseira, técnica e de confiança. Na conversa com o governador, ele disse que consultou as duas polícias. O convite foi uma surpresa para mim. É um desafio e sou atrelado a desafios.

Como o senhor tem encarado os desafios de agora, como a Copa do Mundo, por exemplo?

Eu tenho participado de todas as reuniões sobre a Copa do Mundo nas câmaras técnicas formadas. Não é novidade para mim. Talvez isso tenha pesado [na escolha]. Talvez tenha pesado também de a gente falar algumas línguas [ele fala inglês, hebraico, italiano e espanhol]. Isso ajuda numa Copa do Mundo. Nas câmaras técnicas não será mudado absolutamente nada. Nem daria tempo. Como os comandos policiais se mantêm, tenho impressão que muda apenas a figura do secretário neste caso [da copa do mundo], mas toda estratégia não será mudada.

O que muda com o novo comando?

O tratamento com as outras instâncias. Sou um homem conciliador. Não sou homem de criar arestas. O objetivo é trabalhar conjuntamente, seja com o Ministério Público (MP) ou Secretaria da Justiça e Cidadania (Seju).

O atrito com o Gaeco, por exemplo, ocorrido na gestão anterior, não deve ocorrer com o senhor?

O atrito foi mais pessoal que secretarial. Eu sempre trabalhei com o MP. Algumas vezes com Gaeco, e muito tranquilamente. Da minha parte, haverá total cooperação.

Quais as principais dificuldades que o senhor acredita que enfrentará?

É um ano completamente atípico. Não dá para querer fazer milagre, ter ideias mirabolantes. O desafio vai ser fazer uma segurança pública de qualidade dentro dos possíveis recursos que teremos, sem querer inventar moda.

Qual a possibilidade de recursos, já que as notícias de falta de combustíveis e manutenção de viaturas têm aparecido bastante?

Isso está praticamente equacionado. Foi uma das primeiras preocupações que tive. Em torno de 7% das viaturas estavam fora [do trabalho]. Tivemos uma reunião na manhã inteira de ontem [anteontem] com o delegado-geral, o comandante-geral e com a área técnica da Sesp para reverter esse quadro e para que não tenhamos mais os problemas que tivemos. E que nós mesmos possamos gerenciar as quebras das viaturas sem depender da morosidade administrativa do estado. Quanto aos combustíveis, boa parte dos contratos já foi paga. O que eu preciso para polícia? Preciso de comida, armamento – que tem – viatura e combustível. Sem essas quatro coisas eu não consigo fazer segurança. Essas coisas são prioridades hoje na Sesp.

O senhor acha viável o governo conseguir construir as delegacias cidadãs e adquirir os módulos móveis, conforme prometido?

Os módulos móveis estão saindo para já. A licitação está sendo feita. Serão de fundamental importância para atingir as metas. Não sei os números ainda [são 100, por enquanto, segundo a assessoria de imprensa da Sesp] porque faz algumas horas que assumi. Mas os módulos móveis serão instalados a toque de caixa, o mais rápido possível. Sobre as delegacias cidadãs, boa parte delas será [construída]. Lógico que a totalidade delas não, mas o máximo possível, dentro dos recursos do Funesp e doBNDES. O grande problema nosso foi o atraso dos empréstimos, a não liberação dos recursos.

Um médico-legista pela primeira vez vira secretário, o que esperar nessa área?

Eu acho que é um desafio grande. Eu trabalho com muita tecnologia. Eu tenho alguns dos melhores peritos do Brasil trabalhando lá na Polícia Científica. Quero essa filosofia de trabalho implantada na Sesp. A gente tem de trabalhar com geoprocessamento, atuar onde está o problema. Temos condições hoje de saber onde estão os focos [de crimes] e atuar em cima disso. Vamos voltar ostensivamente com a polícia na rua, que é o que eu pedi hoje [ontem] para os meus comandantes.

Com relação às Unidades Paraná Seguro, a grande reclamação é a falta de policiamento nas regiões das sedes e de entrosamento com o município?

A ideia é chamar a Guarda Municipal. Não tenho partido político. Não sou político. Não é possível que as forças não se conversem se o objetivo é comum. Passou a fase da vaidade com tanta criminalidade, insegurança. Temos de trabalhar com um objetivo em comum.

Há defasagem de delegados no estado. Como o senhor tem avaliado essa questão?

Já tratei desse assunto ontem [anteontem]. O governador autorizou a penúltima fase do concurso para PM e bombeiro. A promessa dele é de que ocorra logo em seguida a contratação da Polícia Civil. Em seguida, vou pedir para a Polícia Científica, que também está defasada. Os pedidos já estão na Sesp. Depende da liberação orçamentária da Fazenda agora.

Precisaria de quantos delegados hoje?

Muitos. Praticamente o dobro, que é impossível. Temos que ter bom senso, pé no chão. Um delegado a mais hoje, pelo que o delegado-geral Riad (Farhat) me falou, já é uma grande coisa. Então, se eu tiver mais 50, ou 30, vai trazer um resultado já muito bom.

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