Encontre matérias e conteúdos da Gazeta do Povo
Conjunto Cingapura

Moradores de conjunto habitacional em São Paulo dizem não ter medo de explosão

Eles prometem resistir a retirada. Mais de 2,7 mil pessoas moram no local, construído em 1984 sobre um lixão

Moradores do Conjunto Habitacional Cingapura Zaki Narchi, Zona Norte de São Paulo, dizem se sentir seguros e não temem explosões no local, mesmo depois do Tribunal de Justiça de São Paulo ter determinado a interdição dos prédios, devido a laudo da Companhia Ambiental do Estado de São Paulo (Cetesb) que teria identificado a presença de gás metano na área.

No conjunto habitacional da Zona Norte da capital paulista, construído em 1984, moram 2.787 pessoas. Os apartamentos, assim como uma creche, foram erguidos numa área onde funcionava um lixão, e estão próximos ao Shopping Center Norte, que chegou a ser fechado devido ao risco de explosão.

Com a decisão da Justiça de que a prefeitura deveria remover todos para uma outra área, segura, até que laudos da Cetesb comprovem que não há riscos, o clima é de insatisfação entre os moradores do conjunto habitacional.

O apartamento do vidraceiro Geraldo de Freitas, de 62 anos, é um dos que tem sido monitorado nos últimos dias, por se situar no térreo. Medições para avaliar a presença de gás metano têm sido frequentes no imóvel, assim como nos demais do nível térreo dos prédios. Mas Freitas não sente medo de morar no local, pois acredita no que técnicos que vistoriaram seu imóvel teriam lhe dito: não há gás. "Moro aqui há 30 anos, desde quando aqui só havia barracos. Eu acompanhei as fundações. Se tivesse que morrer, já teria morrido aqui", disse.

O temor que ele tem é de, se for retirado do apartamento em que mora com a mulher e os dois filhos, a nova casa seja pior. Freitas promete resistir se houver tentativa de retirada dos moradores. "Vai ter confusão (se for feita a retirada dos moradores). Eles que comprem uma moradia, e se eu gostar da moradia, eu vou para lá. Do contrário, eu não vou, por que se me derem um dinheiro vou comprar onde? Não quero dinheiro, para favela eu não vou. Criei meus filhos aqui, no meio dos ratos, não vou sair daqui de mãos abanando", disse.

Moradora do conjunto habitacional desde que nasceu, Ingrid Aparecida Fernandes de Oliveira, de 21 anos, também disse que se sente segura no apartamento térreo em que reside. "Nunca teve nenhum problema de gás aqui. É estranho não ter nada sobre gás no Novotel e no Deic (Departamento de Investigações sobre o Crime Organizado - prédios próximos ao conjunto habitacional). Aqui nunca teve explosão. A decisão da Justiça está errada, muita gente vai ficar sem moradia. O (Paulo) Maluf (ex-prefeito de São Paulo) é que fez isso aqui, você acha que ele ia fazer no meio do lixo?", afirma Ingrid

A dona de casa Rosemere Santos, de 37 anos, mora no local há 30 anos e acha que há alguém interessado em retirar os moradores da região. "Acho que tem interesse de quem tem dinheiro e quem não tem dinheiro. O shopping sempre foi interessado na área, a gente está numa área nobre, com tudo próximo. O shopping chegou a cogitar fazer um estacionamento aqui quando aqui era uma favela, e não conseguiram", disse Rosemere.

Rosemere também teme a transferência dos moradores. "A gente não invadiu o terreno. Se vier gente tirar a gente daqui, vamos brigar da maneira que a gente puder. Se sairmos daqui, vamos para um lugar pior. Nossos filhos estudam aqui do lado, tem condução, posto de saúde, tudo é perto", disse Rosemere.

Principais Manchetes

Receba nossas notícias NO CELULAR

WhatsappTelegram

WHATSAPP: As regras de privacidade dos grupos são definidas pelo WhatsApp. Ao entrar, seu número pode ser visto por outros integrantes do grupo.