
Nem tudo é democrático nos critérios de remoção da Cohab de Curitiba, segundo lideranças comunitárias de várias vilas às margens do Ribeirão dos Padilha, no Xaxim. Com apoio de advogados e entidades de defesa da moradia popular, encaminharam à Secretaria de Direitos Humanos da Presidência da República um dossiê explicando por que estão lutando contra o "Projeto Padilha" da Cohab. O documento é assinado pela Associação Amiga das Vilas (Amav).
Os moradores dizem que em março de 2011 passaram a sofrer uma espécie de "assédio moral" de membros da Cohab, informados que seriam retirados das moradias e realocados em casas do PAC2/Minha Casa Minha Vida, no Tatuquara. Foi dado prazo de uma semana para adesão ao programa. Ao longo do ano continuaram os alertas sobre os riscos de despejo. O projeto abrangeria 500 casas, comércios e igrejas situados até 40 metros de uma das margens do Ribeirão dos Padilhas.
Proprietários
Os moradores trataram do assunto em 15 reuniões entre 27 de março e 17 de outubro de 2011, e se organizaram contra o projeto por não terem sido convidados a participar da elaboração. A ocupação existe há 30 anos. Há rede de esgoto, água, luz e 90% das ruas pavimentadas. Mesmo sem título de posse dos imóveis, os moradores foram tratados como proprietários ao participarem do plano de pavimentação antipó da prefeitura, em 2004.
A Cohab oferecia sobrados nos conjuntos Boa Esperança I, II e III e Moradias Cerâmica, todos no Tatuquara. Na avaliação dos moradores, o Tatuquara ainda não conta com infraestrutura para receber a quantidade de famílias que para lá estão sendo realocadas. Outro problema é que muitos têm comércio no lugar onde estão, o que não seria permitido no assentamento do Tatuquara.
Segundo os moradores, a Cohab não fez levantamento socioeconômico das famílias, em desacordo com o PAC 2/Minha Casa Minha Vida. Os conjuntos Boa Esperança I e II, além do Cerâmica, são destinados a famílias com rendas de até três salários. Na área do Ribeirão dos Padilhas, muitas famílias têm renda superior ao limite legal para adesão ao financiamento da Caixa. "Assim, é importante considerar que esta política unilateral não oferece moradia digna e fomenta um grave processo de favelização", diz o dossiê da Amav.
A advogada Denise Filippetto, que representa a Amav, destaca que os moradores não estão se recusando a sair. Querem antes participar das decisões que dizem respeito diretamente a eles. A Cohab diz desconhecer o assédio moral denunciado pela Amav e garante estar fazendo um trabalho social junto às famílias que vivem às margens do Ribeirão dos Padilhas. Segundo a companhia, 88 famílias do lugar já foram reassentadas no Moradias Boa Esperança II e outras 84 se cadastraram para se mudar para o Moradias Cerâmica.







