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CURITIBA

Morte de carrinheiro é investigada pela polícia

Amigos foram se despedir de Bocão, como era conhecido. Agredido a pedradas, ele foi o sexto morador de rua morto em menos de um ano na capital

Polaco: fiel companheiro |

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Polaco: fiel companheiro

A polícia já tem o primeiro nome do suspeito de ter matado o carrinheiro Antônio Ribeiro Cordeiro, o Bocão. De acordo com a Delegacia de Homicídios, trata-se de uma pessoa conhecida como Ivo e que circula pela região da Praça Eufrásio Correa, no Centro de Curitiba. Bocão foi agredido a pedradas e encontrado inconsciente por funcionários do Teatro Guaíra na madrugada do dia 24 de janeiro. Ele morreu anteontem no Hospital Cajuru em decorrência da agressão e o seu corpo foi enterrado ontem, no Cemitério do Boqueirão. Essa foi a sexta morte de um morador de rua da capital em menos de um ano: três no Centro e os outros no Cajuru, Centro Cívico e Portão.

Segundo o delegado Fábio Amaro, imagens das câmeras de segurança do Teatro Guaíra e depoimentos de moradores de rua ajudaram a chegar à pré-identificação do suspeito. "Ainda não sabemos se o criminoso é morador de rua. Como ele estava usando uma bota ortopédica no momento do crime, temos a impressão que não é".

Amigos de Bocão, entretanto, dizem saber quem é o suspeito. "Já vimos esse cara. É um traidor que matou para levar o dinheiro que o Bocão ganhava das pessoas por ser do bem", afirmou um dos amigos – cujo nome será preservado. No vídeo analisado pela polícia dá para ver um homem saindo de perto da carroça com um pacote nas mãos.

Zelador

Segundo relatos de amigos, Bocão vivia nas ruas de Curitiba há 20 anos. Ontem, 20 pessoas compareceram ao velório – a maior parte amigos que vivem na rua. A cerimônia foi organizada por um grupo de voluntários que atende moradores de rua e participaram de projetos como o Pimp My Carroça, ação que customizou carroças de catadores de Curitiba em 2013. Entre os integrantes desse grupo está a psicóloga e atriz Cintia Scoriza e o editor Sebastiao Nascimento. "Conheci o Bocão na saída dos concertos que frequentava no Teatro Guaíra Ele sempre me perguntava como tinha sido o espetáculo", conta Nascimento.

Ontem, na Praça Santos Andrade, onde Bocão era visto com frequência, moradores de rua lembravam do amigo e cuidavam de Polaco – cão de estimação de Bocão. Eles chegaram a comprar meio quilo de carne moída para o bicho, que deve ficar em processo de adoção conjunta entre os amigos de Bocão e as pessoas que ajudaram a liberar o corpo dele.

Sirlete dos Santos, que diz ter morado com o catador por três anos, pediu justiça. "Ele era o zelador da praça, admirado por todos. Só peço justiça para que mais moradores de rua não morram".

Sem documentos

Corpo de Bocão quase não foi liberado pelo IML

Tanto a carroça quanto os documentos de Bocão, segundo seus amigos, foram levados por um morador de rua que não participou da agressão. Por causa da ausência de documentos, diz o editor Sebastião Hassan Ali Nascimento, o Instituto Médico Legal não queria liberar o corpo caso algum parente não comparecesse ao local. Se isso não ocorresse em até 45 dias, Bocão seria enterrado como indigente.

Nascimento então procurou a Defensoria Pública do Paraná, que se valeu da Lei de Registros Públicos para conseguir a liberação do corpo em menos de 24 horas. O caixão, a coroa de flores e o translado do corpo foram custeados pela Fundação de Ação Social, segundo o defensor público Luis Gustavo Fagundes Purgato.

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