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Mortes expõem fragilidade sanitária nos cruzeiros

Concentração de passageiros na embarcação facilita propagação de doenças, alertam médicos

No transatlântico MSC Sinfonia, cerca de 380 pessoas passaram mal, com suspeita de intoxicação alimentar. | Marcos D´Paula/AE
No transatlântico MSC Sinfonia, cerca de 380 pessoas passaram mal, com suspeita de intoxicação alimentar. (Foto: Marcos D´Paula/AE)

A morte de cinco pessoas nos dois últimos meses e a contaminação de 380 passageiros em cruzeiros na costa brasileira mostram a dificuldade de manter as condições sanitárias nos navios. A Associação Brasileira de Representantes de Empresas Marítimas (Abremar) afirma que é necessário haver um médico a cada 1,5 mil passageiros, mas a assessoria de imprensa não soube informar como é feito o monitoramento dos navios para verificar se as normas estão sendo cumpridas. As inspeções para avaliar as condições sanitárias das embarcações são feitas pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) e, de acordo com o órgão, são intensificadas na temporada.

Médicos ouvidos pela reportagem afirmam que a segurança sanitária e médica dentro dos navios deve ser levada a sério, tanto pelas empresas quanto pelos passageiros. "Em alguns casos são mais de 3 mil pessoas dentro de uma embarcação. É quase uma cidade", diz o médico Rached Hajar Traya, chefe do Pronto-Socorro do Hospital do Trabalhador. "Agora acrescente a isso o fato de elas estarem dividindo o mesmo espaço 24 horas por dias a uma grande distância da costa." Segundo ele, há maior risco de propagação de infecções e contaminações.

Traya recomenda que os passageiros com doenças crônicas, como hipertensos e cardíacos, conversem com seus médicos antes de decidirem viajar. "Em alguns casos pode até ser contraindicado em função da dificuldade de remoção para um hospital em uma emergência", alerta.

Gerente do Pronto-Socorro da Santa Casa de Curitiba, o médico André Ribeiro Langowski, recomenda aos futuros passageiros que estejam com as vacinas em dia, tenham extremo cuidado com o consumo de alimentos e fiquem atentos ao gelo, verificando se ele é feito de água mineral ou não. Langowski diz que é necessário escolher empresas de confiança, porque dentro dos navios o acondicionamento de alimentos e cuidados no preparo podem gerar problemas se não forem feitos da forma correta.

O assunto também é tabu entre a maior parte das empresas que promovem cruzeiros no país, por medo de ter a imagem associada às mortes e aos casos de intoxicação. A operadora CVC, responsável pelo navio Soberano, onde o empresário Diego Mendes Oliveira morreu, diz que o caso já foi esclarecido. Em nota, a assessoria disse que "em nenhum momento houve negligência médica e o passageiro recebeu todo o atendimento necessário desde a primeira solicitação" e que a morte do jovem ocorreu em função de um tipo de meningite. A família de Diego reclama do atendimento médico no navio. As consultas que não são emergenciais são cobradas em dólares. A CVC alega que "não se pronunciará em relação às questões médicas por entender que este tipo de assunto está fora de seu escopo de atuação".

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