
A Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária, conhecida como Abril Vermelho, começou no fim de semana com a invasão de quatro propriedades no estado da Bahia e uma marcha no Rio Grande do Sul. Na pauta de reivindicações do movimento está o assentamento de 100 mil famílias neste ano e a destinação de mais recursos para a obtenção de terras. Segundo o integrante da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Gilmar Mauro, o corte no orçamento deste ano fez cair de R$ 600 milhões para R$ 380 milhões os recursos para a aquisição de terras. Outra reivindicação é a melhoria dos assentamentos já criados pelo governo. O MST diz que muitos estão em situação precária e sem infraestrutura básica.
O Instituto Nacional de Colonização e Reforma Agrária (Incra) informou que está finalizando os estudos para definir as verbas destinadas aos programas de reforma agrária. O levantamento foi necessário por causa do corte no orçamento feito neste ano pelo governo. Segundo o instituto, o Ministério do Desenvolvimento Agrário teve redução de 26% de seus recursos para este ano e ainda não é possível estipular a meta de assentamentos para 2011.
Pressão
Cerca de 50 pessoas ligadas à Federação Nacional dos Trabalhadores e Trabalhadoras na Agricultura Familiar do Distrito Federal e Entorno (Fetraf) estão acampadas na porta da sede do Incra em Brasília. Na Bahia, o conjunto Muqui, fazenda de 6,8 mil hectares em Itabela, no sul do estado, foi ocupado por cerca de 450 famílias na segunda-feira. Outras 150 famílias invadiram uma propriedade no município de Jucuruçu, na sexta-feira. Elas ocuparam duas fazendas de pastagem, em Alcobaça e Teixeira de Freitas.
No Rio Grande do Sul, uma marcha com mais de 400 famílias teve início na semana passada em Palmeiras das Missões, no Norte do estado. O objetivo é percorrer 90 quilômetros até a cidade de Carazinho, para reivindicar a criação de um assentamento para mil famílias. O MST ainda programa para este mês cerca de cem invasões por todo o país.
Segundo lideranças do movimento, a meta é aumentar a pressão sobre o governo Dilma Rousseff. "Já pedimos uma reunião com a presidente, mas não houve resposta. Esperamos ser recebidos ao menos por ministros", afirma Gilmar Mauro. Ele avalia que o tema da reforma agrária sumiu da pauta desde o fim da eleição. "Precisamos que ele seja retomado. Garantimos que a pressão social vai aumentar", diz Gilmar.
O auge do Abril Vermelho está previsto para o dia 17, quando o massacre de sem-terra de Eldorado dos Carajás (PA) completa 15 anos. O episódio entrou para a história como um dos mais sangrentos embates pela posse de terra no país. Dezoito sem-terra foram mortos por policiais no confronto.O secretário executivo da Presidência da República, Rogério Sottili, disse que a reforma agrária "é uma agenda importante" da presidente Dilma Rousseff e que "o governo sempre vai receber o movimento, que é muito reconhecido". Na sexta-feira, Dilma recebeu de uma comitiva de representantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) uma pauta de 192 itens.
No ano passado, segundo o Incra, foram assentadas cerca de 40 mil famílias no país. Em relação à falta de estrutura em assentamentos, o governo informou que a solução do problema foi um compromisso firmado pelo recém-empossado presidente do órgão, Celso Lacerda, na semana passada.



