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Abril vermelho

MST quer assentar 100 mil famílias

Sem-terra criticam corte no orçamento para a reforma agrária e invadem quatro propriedades na Bahia. No ano passado, 40 mil famílias foram assentadas, segundo o Incra

Integrantes do MST na Bahia: orçamento para a aquisição de terras caiu de R$ 600 milhões, em 2010, para R$ 380 milhões | Ivan Cruz/ Folhapress
Integrantes do MST na Bahia: orçamento para a aquisição de terras caiu de R$ 600 milhões, em 2010, para R$ 380 milhões (Foto: Ivan Cruz/ Folhapress)

A Jornada Nacional de Lutas por Reforma Agrária, conhecida como Abril Vermelho, começou no fim de semana com a invasão de quatro propriedades no estado da Bahia e uma marcha no Rio Grande do Sul. Na pauta de reivindicações do movimento está o assentamento de 100 mil famílias neste ano e a destinação de mais recursos para a obtenção de terras. Segundo o integrante da direção nacional do Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) Gilmar Mauro, o corte no or­­çamento deste ano fez cair de R$ 600 milhões para R$ 380 mi­­lhões os recursos para a aquisição de terras. Outra reivindicação é a melhoria dos assentamentos já criados pelo governo. O MST diz que muitos estão em situação precária e sem infraestrutura básica.

O Instituto Nacional de Co­­loni­zação e Reforma Agrária (Incra) informou que está finalizando os estudos para definir as verbas destinadas aos programas de reforma agrária. O levantamento foi necessário por causa do corte no orçamento feito neste ano pelo governo. Segundo o instituto, o Ministério do Desen­volvimento Agrário teve redução de 26% de seus recursos para este ano e ainda não é possível estipular a meta de assentamentos para 2011.

Pressão

Cerca de 50 pessoas ligadas à Fe­­deração Nacional dos Trabalha­dores e Trabalhadoras na Agri­cultura Familiar do Distrito Federal e Entorno (Fetraf) estão acampadas na porta da sede do Incra em Brasília. Na Bahia, o conjunto Muqui, fazenda de 6,8 mil hectares em Itabela, no sul do estado, foi ocupado por cerca de 450 famílias na segunda-feira. Outras 150 famílias invadiram uma propriedade no município de Jucu­ruçu, na sexta-feira. Elas ocuparam duas fazendas de pastagem, em Alcobaça e Teixeira de Freitas.

No Rio Grande do Sul, uma marcha com mais de 400 famílias teve início na semana passada em Palmeiras das Missões, no Norte do estado. O objetivo é percorrer 90 quilômetros até a cidade de Carazinho, para reivindicar a criação de um assentamento para mil famílias. O MST ainda programa para este mês cerca de cem invasões por todo o país.

Segundo lideranças do movimento, a meta é aumentar a pressão sobre o governo Dilma Rous­seff. "Já pedimos uma reunião com a presidente, mas não houve resposta. Esperamos ser recebidos ao menos por ministros", afirma Gilmar Mauro. Ele avalia que o tema da reforma agrária sumiu da pauta desde o fim da eleição. "Precisamos que ele seja retomado. Garantimos que a pressão social vai aumentar", diz Gilmar.

O auge do Abril Vermelho está previsto para o dia 17, quando o massacre de sem-terra de Eldorado dos Carajás (PA) completa 15 anos. O episódio entrou para a história como um dos mais sangrentos embates pela posse de terra no país. Dezoito sem-terra foram mortos por policiais no confronto.O secretário executivo da Presidência da República, Rogério Sottili, disse que a reforma agrária "é uma agenda importante" da presidente Dilma Rousseff e que "o governo sempre vai receber o movimento, que é muito reconhecido". Na sexta-feira, Dilma recebeu de uma comitiva de representantes da Confederação Nacional dos Trabalhadores na Agricultura (Contag) uma pauta de 192 itens.

No ano passado, segundo o Incra, foram assentadas cerca de 40 mil famílias no país. Em relação à falta de estrutura em assentamentos, o governo informou que a solução do problema foi um compromisso firmado pelo recém-empossado presidente do órgão, Celso Lacerda, na semana passada.

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