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O Movimento dos Trabalhadores Rurais Sem Terra (MST) utilizou o Dia Internacional da Mulher para iniciar uma ofensiva que já atingiu, de acordo com a assessoria de imprensa, sete "latifúndios improdutivos". As ações fazem parte do que o movimento chama de "Jornada Nacional de Lutas das Mulheres Sem Terra", iniciada no domingo (8) e prevista para perdurar até quinta-feira (12).
De acordo com a coordenadora nacional do MST, Ayala Ferreira, "a jornada tem expressado aquilo que pode ser as mulheres organizadas enfrentando os crimes do latifúndio e também enfrentando essa escalada de violência contra as mulheres, legitimado muito por esse discurso conservador e pelo avanço da extrema-direita em nossa sociedade (sic)."
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O grupo ainda menciona outras 17 ações, incluindo marchas e bloqueios em rodovias, em 21 municípios de 13 estados. De acordo com Ayala, o objetivo das investidas seria "expressar o que pode ser a capacidade de organizar e de resistir das mulheres da classe trabalhadora". Estariam envolvidas ao menos 11 mil mulheres.
No Congresso, parlamentares da oposição atuam para que o MST seja enquadrado como uma organização terrorista. O bloqueio de rodovias já é uma infração administrativa, e a desobediência à ordem de liberar o fluxo pode ser enquadrada como desobediência ou resistência. O Código Penal ainda pune, com prisão de um a seis meses, quem "invade, com violência a pessoa ou grave ameaça, ou mediante concurso de mais de duas pessoas, terreno ou edifício alheio."
Apesar disso, o movimento justifica que as invasões ocorrem em locais onde ocorreram crimes como grilagem de terras, submissão a trabalho semelhante à escravidão e delitos ambientais.
Na Esplanada, um membro frequentemente associado ao MST ocupa o cargo de ministro da Secretaria-Geral da Presidência da República. Guilherme Boulos (PSOL), porém, é de outro grupo, o Movimento dos Trabalhadores Sem-Teto (MTST), que promove invasões na área urbana.








